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Acusada de crimes contra a Humanidade, China lança ofensiva para conter danos a sua imagem

Na província de maioria muçulmana, ritos do Islã são permeados de símbolos chineses. (Foto: Divulgação)

Na província de maioria muçulmana, ritos do Islã são permeados de símbolos chineses; diante de denúncias de detenções em massa e perseguição cultural, Pequim diz que foi bem-sucedida no combate ao extremismo religioso e ao separatismo

Após uma ampla reforma, está quase tudo pronto para a reabertura do museu que conta a história da província chinesa de Xinjiang, prevista para os próximos dias.

Num tour antecipado para jornalistas estrangeiros, o curador do museu mostra fragmentos de 3 mil anos descobertos na região que têm características da China antiga, como seda e porcelana. Esses são claros indícios de que Xinjiang é “parte inseparável” da civilização chinesa, diz Yuzhi Young.

A referência ao passado distante tem ligação direta com a mensagem do presente que o governo chinês tenta consolidar sobre seus direitos históricos nesta província no extremo oeste do país habitada por minorias étnicas e sonhos separatistas.

Na reinterpretação histórica, pouco parece importar que a grande estrela do museu, a múmia de 4 mil anos encontrada na região conhecida como “Bela de Loulan”, é de uma mulher com traços do Cáucaso. A arqueologia é só uma das armas do arsenal de propaganda contra a artilharia pesada que a reputação do país tem sofrido.

Análise

Acusado de crimes contra a Humanidade em Xinjiang, o governo chinês se lançou numa cruzada de relações públicas para tentar remodelar à sua maneira a narrativa sobre o que se tornou nos últimos meses um dos temas mais explosivos na relação entre Pequim e o Ocidente.

Sob ataque, o país saiu da defensiva e passou a rebater com cada vez mais empenho a incriminação, seja em entrevistas coletivas semanais em Pequim ou viagens organizadas pelo governo para diplomatas e jornalistas.

Acusada por organizações de direitos humanos e relatores da ONU de detenção em massa e perseguição cultura às minorias muçulmanas locais, China se diz bem-sucedida no combate ao extremismo religioso na região e faz ofensiva de relações públicas para conter danos a sua imagem.

Curiosidades

Com população de 25 milhões de habitantes, 60% de minorias muçulmanas, principalmente da etnia uigur, Xinjiang é uma região estratégica para a China.

Nos espetáculos de dança uigur, a mensagem oficial é de preservação da cultura tradicional.

 

 

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