Em ação realizada nessa segunda-feira (2), a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) prenderam de forma preventiva em Porto Alegre o advogado e professor Conrado Paulino da Rosa. Ele é alvo de denúncia apresentada à Justiça no dia 24 de fevereiro, por 12 crimes contra dez mulheres – a lista inclui estupro, cárcere privado, estupro de vulnerável e violência psicológica, no período de 2013 a 2025.
A medida foi determinada pela 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), atendendo a um pedido do MPRS. O objetivo é proteger as vítimas e evitar novas agressões, reforçando a necessidade de medidas urgentes diante da gravidade dos fatos.
Entenda o caso
Após três meses de inquérito, no início de dezembro a Polícia Civil indiciou o advogado, que também atuava como professor na Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP). Ele chegou a permanecer preso temporariamente entre 26 de setembro e 22 de outubro, quando teve a medida substituída pelo monitoramento por tornozeleira eletrônica, comparecimento mensal à Justiça e proibição de manter contato com vítimas e testemunhas.
Duranteo inquérito foram ouvidas 18 mulheres que se apresentaram como vítimas, além de 16 testemunhas. A investigação também abrangeu perícias, exames e outros elementos.
Conforme a delegada Fernanda Campos, responsável pelo caso, os fatos apurados envolvem violência psicológica, estupros e agressões durante relações sexuais, tendo como local predomiante o apartamento do investigado, no qual
Desligamento
O advogado e professor foi desligado da FMP já no início da investigação. Em 19 de setembro, a instituição divulgou comunicado destalhando a demissão “em caráter administrativo, conforme previsto no regimento interno da Fundação, sem juízo antecipado sobre eventuais responsabilidades relacionadas a fatos externos à universidade”.
Já a seccional gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RS) informou então ter instaurado processo ético-disciplinar sobre o caso. Também expressou “profunda preocupação” com os relatos das mulheres e reforçou o compromisso institucional com uma apuração rigorosa de qualquer conduta que possa ferir os princípios da profissão.
Inocência
O investigado postou mensagem nas redes sociais, na época, negando as acusações e dizendo confiar na Justiça: “Quem conhece minha trajetória sabe do respeito que possuo por minha profissão e como conduzo minha vida pessoal. Com a apuração completa, após a minha oitiva e de minhas testemunhas, e a análise da documentação que será apresentada, a verdade dos fatos sobressairá”.
Ele acrescentou: “Confio no trabalho das autoridades, pessoas técnicas e idôneas. Ao menos por ora, respeitarei o sigilo da investigação e evitarei qualquer outra forma de exposição desnecessária (…). Não se pode esquecer que investigação não significa condenação, muito menos quando ainda não formalizado o contraditório e a ampla defesa, de sorte a ferir também a ampla presunção de inocência. Repudio qualquer forma de violência contra mulheres e é indispensável que haja responsabilidade na divulgação não autorizada de informações sigilosas”.
(Marcello Campos)
