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Advogado famoso é acusado de injúria racial por funcionária de pizzaria em Brasília

Mulher relatou à polícia ter sido chamada de 'macaca' por ex-advogado da família Bolsonaro. (Foto: Reprodução de TV)

Uma funcionária de uma pizzaria de Brasília registrou uma queixa de injúria racial contra o advogado Frederick Wassef, ex-defensor da família Bolsonaro. A mulher relatou à polícia ter sido chamada de “macaca” pelo advogado. O caso foi revelado pela  revista Veja e confirmado pelo jornal O Globo. Wassef nega as acusações e diz que é vítima de uma “farsa e armação montada”.

De acordo com a Polícia Civil, o caso teria ocorrido na noite de domingo (8) e foi registrado na quarta-feira na 1ª Delegacia de Polícia, na Asa Sul. A vítima, que trabalha em um shopping no Setor de Clubes Sul, não teve sua identidade divulgada.

A mulher relatou que Wassef é um cliente frequente da pizzaria e que é conhecido por ofender os funcionários. Ela disse que não atendeu o advogado no domingo, porque ele já tinha destratado ela antes, mas que mesmo assim ele reclamou com ela da pizza que tinha comido. Wassef teria perguntado a funcionária se ela havia comido a pizza. Após ela negar, ele teria dito, em voz alta: “Você é uma macaca! Você come o que te derem!”

O gerente da loja acompanhou a funcionária na delegacia e prestou depoimento como testemunha. Ele confirmou ter ouvido o advogado chamá-la de “macaca”. Também relatou ter ouvido reclamações de outros funcionários sobre o cliente.

Em outro episódio, que teria ocorrido em outubro, Wassef teria jogado a caixa de uma pizza no chão e dito para ela pegá-la. A funcionário relatou que se sentiu “muito humilhada”, mas que pegou a caixa. Depois, segundo ela, comunicou à gerência que não atenderia mais o advogado.

Frederick Wassef disse ao O Globo que a funcionária mentiu e que ele é vítima de “denunciação caluniosa que foi organizada sob orientação de terceiros, visando futura ação indenizatória para ganhar dinheiro, através desta fraude arquitetada”.

“Não chamei ninguém de macaco. A funcionaria não é negra e mentiu afirmando que eu a chamei de negra e, por isto, não queria ser atendido por ela”, escreveu por mensagem, acrescentando que irá comunicar a polícia sobre o suposto crime de denunciação caluniosa que seria vítima.

Wassef defendia o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no inquérito que investiga uma suposta “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeira (Alerj), mas deixou o caso após Fabrício Queiroz, também investigo no caso, ter sido encontrado em uma propriedade sua. Wassef também já foi apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro como seu advogado.

Em nota, a Pizza Hut Brasil afirmou que manifesta seu “absoluto repúdio aos fatos ocorridos e seu apoio aos funcionários agredidos e ao franqueado da referida unidade”.

A empresa diz ainda que está dando suporte aos colaboradores e parceiros agredidos, “para que os mesmos façam valer os seus direitos e para que sejam tomadas as medidas necessárias para evitar que tais atos se repitam”.

De acordo com o Código Penal, a injúria é o ato de ofender a dignidade ou o decoro de alguém. Caso a injúria consista na utilização de elementos referentes a raça, cor ou etnia, entre outros, a pena é de um a três anos de prisão.

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