A Agência Europeia de Medicamentos (EMA), o órgão regulador do setor da UE (União Europeia), iniciou nesta quinta-feira (5) uma análise da vacina russa Sputnik V. Moscou se comprometeu a fornecer doses para 50 milhões de europeus a partir de junho se o imunizante for aprovado no bloco.
A EMA disse que deu início à revisão contínua da Sputnik V e analisará a segurança, a qualidade e a eficácia da vacina com base em resultados de estudos laboratoriais e testes clínicos. O processo é um passo formal em direção à aprovação para uso no bloco.
A UE tem sido criticada pela lentidão na obtenção de vacinas. Eslováquia e Hungria, dois dos países que fazem parte do bloco, já aprovaram unilateralmente o uso da Sputnik V em suas respectivas populações.
A Sputnik V foi aprovada em mais de 40 países. Uma autorização da UE seria uma vitória significativa para Moscou, que vem usando a vacina como parte de uma campanha diplomática mais ampla.
“A Sputnik V pode dar uma contribuição importante para salvar milhões de vidas na Europa”, disse Kirill Dmitriev, CEO do Fundo Soberano da Federação Russa, responsável por negociar o imunizante com o exterior.
“As parcerias de vacinas devem estar acima da política, e a cooperação com a EMA é um exemplo perfeito de que a união de esforços é a única maneira de acabar com a pandemia”, acrescentou Dmitriev.
A Rússia está vendendo a Sputnik V por menos de US$ 10 a dose, valor inferior ao cobrado por alguns de seus rivais ocidentais. São necessárias duas doses para garantir a imunização contra a Covid-19.
Um estudo revisado por outros cientistas, publicado na revista médica “The Lancet” em fevereiro, mostrou que a vacina foi 91,6% eficaz na prevenção de casos sintomáticos de covid-19, sem apresentar efeitos colaterais graves.
A Rússia disse em 29 de janeiro que havia iniciado o processo de aprovação da Sputnik V com a EMA. A agência disse em comunicado de 10 de fevereiro que não havia recebido nenhum pedido de revisão contínua da vacina, embora estivesse em diálogo com os desenvolvedores.
A vacina também passa por revisão na Organização Mundial da Saúde e o envio contínuo de dados clínicos começou em 9 de fevereiro, de acordo com comunicado de 1º de março.
Apesar do pedido de aprovação da Sputnik V para entrar no mercado da UE, a demanda doméstica continua baixa em meio a sinais de crescente relutância entre os russos em confiar nas evidências de segurança e eficácia da vacina.
Uma pesquisa de fevereiro do Levada Center, um instituto independente, revelou que 62% dos russos disseram que não tomariam a vacina, a maior parcela desde que a pergunta foi apresentada em agosto.
No Brasil, o Ministério da Saúde anunciou, na quarta-feira (3), que prevê a chegada de 400 mil doses da vacina Sputnik V, desenvolvida pela Rússia contra a Covid-19, ainda em março. O Brasil deverá receber ao todo, até maio, 10 milhões de doses da vacina, segundo a pasta. A vacina ainda não foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Em Porto Alegre, o prefeito Sebastião Melo se reuniu de forma virtual, na manhã desta quinta-feira, com integrantes do Consórcio da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal) e representantes da União Química, que fabrica no Brasil a vacina russa Sputnik V. A viabilidade de compra dos imunizantes pelo consórcio foi discutida e analisada pelos prefeitos. Melo destacou que a prioridade máxima do governo é ampliar a vacinação na capital gaúcha.
“Estamos fazendo um esforço conjunto com a União, Estado e municípios para aquisição de mais vacinas. A compra da Sputnik V por meio do Consórcio Granpal é um bom caminho. Estamos buscando todas as alternativas para ampliar e acelerar a imunização da população”, afirmou Sebastião Melo. As informações são das agências Dow Jones Newswires e Bloomberg, do portal de notícias G1 e da prefeitura de Porto Alegre.
