Investigadas sob a suspeita de que pagaram propina para conseguir contratos na Petrobras, na Caixa Econômica Federal e no Ministério da Saúde, as agências de publicidade Borghi Lowe e FCB assinaram um acordo de leniência com os procuradores da Lava-Jato. As empresas, que pertencem à multinacional norte-americana Interpublic, confirmaram o esquema de corrupção e concordaram em devolver ao governo 50 milhões de reais referentes ao lucro obtido nos últimos cinco anos com contratos irregulares.
Além disso, as agências fornecerão às autoridades o resultado de suas auditorias internas. O material relata o envolvimento de altos funcionários da Caixa e do Ministério da Saúde e responsabiliza pelo esquema o ex-diretor-geral da Borghi em Brasília (DF), Ricardo Hoffmann, preso em Curitiba (PR).
Com o acordo, que ainda precisa ser homologado pela Justiça, as empresas e seus presidentes se livram de processos por corrupção. As companhias também negociam um acordo com a Controladoria-Geral da União.
O grupo Interpublic não quis comentar os termos do acerto, mas afirmou por meio de nota que o “acordo entre as agências e o Ministério Público Federal no Paraná está relacionado a um ex-funcionário que violou o código de ética do grupo. Continuamos os esforços para chegar a um acordo com outros órgãos governamentais”.
Esquema
Conforme investigações, Ricardo Hoffmann pagou propina ao ex-deputado André Vargas (ex-PT-PR) para que ele ajudasse a conquistar as contas da Caixa, do Ministério da Saúde e da Petrobras. Entre 2008 e 2015, a Borghi recebeu mais de 1 bilhão de reais do banco e da pasta da Saúde. A FCB ganhou contrato de mais de 100 milhões de reais com a estatal no ano passado. A maior parte do dinheiro – 85% – era usada para comprar espaço nos meios de comunicação em que os anúncios eram veiculados. (David Friedlander/Folhapress)
