Inquérito concluído pela Polícia Civil gaúcha resultou no indiciamento de três agentes penitenciários investigados por suposto envolvimento na fuga de um detento da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas (Região Carbonífera). Na manhã de 21 de maio, eles teriam facilitado a saída do criminoso pela porta da frente da instituição, mediante falsa ordem de soltura.
Um dos policiais penais trabalhava justamente no departamento do presídio onde são recebidos os alvarás judiciais com essa finalidade. O delegado Augusto Zenon, responsável pela apuração do caso, concluiu que o servidor não apenas produziu, como também entregou o documento ao apenado. Câmeras registraram o momento em que ele “ganhou a rua”.
As acusações abrangem promoção de fuga de pessoa presa, inserção de dados falsos em sistema oficial, fraude em documento público e falsidade ideológica. Um possível ganho atípico em seu patrimônio também é alvo de apuração. O advogado de defesa nega o envolvimento do agente, que está preso de forma preventiva após ser afastado do cargo pela Corregedoria da Polícia Penal do Rio Grande do Sul (PPRS, antiga Susepe).
Já no que se refere aos dois colegas também investigados, eles são acusados de ter omitido aos superiores a constatação de que havia irregularidades no sistema. Ou seja: o indiciamento é por prevaricação – crime cometido quando um funcionário público deixa de cumprir, atrasa ou obstrui uma obrigação para favorecer a si ou a terceiros. Eles permanecem soltos.
A Polícia Civil ainda não localizou o paradeiro do fugitivo. Trata-se de um indivíduo de 29 anos, residente em Porto Alegre. Ao escapar da cadeia, havia cumprido dez meses de uma pena total de 34 anos por homicídio. Ele foi apontado pelas autoridades como autor de ao menos outros nove assassinatos, como executor para uma facção criminosa.
