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Ala do PT resiste à indicação de Rafael Fonteles para assumir o Ministério da Fazenda

Lideranças avaliam que governador reeleito do Piauí teria perfil mais "fiscalista" do que Fernando Haddad. (Foto: Reprodução)

A ala do PT contrária a medidas de ajuste fiscal já começou a manifestar preocupação, internamente, com a possibilidade do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), assumir o Ministério da Fazenda. A percepção de lideranças dessa corrente é de que Fonteles teria um perfil “fiscalista” mais acentuado que o do ex-ministro Fernando Haddad, e dessa forma, poderia frear investimentos públicos e políticas sociais.

A avaliação é que o governador se inspirou no arcabouço fiscal implantado por Haddad para instituir uma regra semelhante de controle de gastos no Piauí.

Em meio aos rumores de que poderia ser indicado pelo presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo, Fonteles negou a hipótese em entrevistas recentes. Na última quinta-feira (29), em comunicado postado nas redes sociais, ele reforçou esse posicionamento. “Nunca tratei com o Presidente Lula ou com qualquer outra pessoa (seja familiar, amigo, aliado ou adversário) sobre cargos no seu próximo mandato e muito menos sobre política econômica”, escreveu.

Fonteles, contudo, tem se pronunciado sobre a política econômica do próximo mandato. Ele nega que tenha tratado do tema com Lula, mas sustenta que o petista pretende conciliar ganhos sociais e crescimento econômico com responsabilidade fiscal.

Na terça (27), o ministro da Secretaría de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, ampliou a preocupação do mercado financeiro ao afirmar que uma proposta de ajuste fiscal não estaria no radar de Lula. “Esse assunto não foi discutido, e nem está sendo discutido, e muito menos aqui na bancada”, declarou.

No dia seguinte, no entanto, foi ao X dizer que “responsabilidade fiscal e compromisso social caminham como prioridade no governo”. “Em sintonia com a Fazenda, vamos construir no Congresso as condições para manter as contas equilibradas, ampliar os investimentos e avançar nas prioridades que melhoram a vida dos brasileiros”, escreveu.

Já na quinta, foi a vez do ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, usar as redes para tratar do assunto. “Quem está defendendo que Lula faça ajuste fiscal, cortando gastos em políticas sociais, não entendeu nada do que foi essa eleição. O Tesouraço foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular. O candidato da Faria Lima perdeu e fugiu para os EUA”, disse nо Х.

O mercado financeiro reagiu mal à eleição de Lula, diante da preocupação com a trajetória da dívida pública e a cobrança por medidas de ajuste fiscal. Na segunda-feira (26), um dia depois do 2º turno, a Bolsa de Valores obrigou o acionamento do chamado circuit breaker, e fechou o dia com a queda de 13,88%, a maior desde 2020.

Resistência

É conhecida a resistência do PT a medidas do Ministério da Fazenda para conter o aumento das despesas e buscar o equilíbrio das contas públicas. Em 2023, quando Haddad apresentou o modelo do arcabouço fiscal para substituir o teto de gastos do ex-presidente Michel Temer (MDB), a então presidente do PT, Gleisi Hoffmann, declarou que a proposta poderia inibir o crescimento econômico. O deputado Linbergh Farias (PT-RJ) argumentou que o arcabouço era “desastroso”, porque desconsiderava o cenário de baixo crescimento. No balanço de 100 dias do governo, Lula saiu em defesa de Haddad, dizendo que o país colheria os frutos da proposta.

Em 2015, o então ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi escolhido pela presidente Dilma Rousseff (PT) para implantar um plano de austeridade, alcançar um superávit de 1,2% do PIB e reequilibrar as contas públicas.

Contudo, ele sofreu pressão contrária do PT durante todo o mandato. Em um cenário adverso, de queda da arrecadação e recessão da economia, ele sofreu uma série de derrotas na batalha de arrumar as contas públicas e deixou o cargo em 18 de dezembro, antes de completar um ano na pasta. (Com informações do Valor Econômico)

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