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Ala militar busca esfriar crise provocada por disputa entre filho de Bolsonaro e ministro

Ministro da Secretaria-Geral divulgou uma nota após jornal informar que uma candidata que teve 274 votos recebeu R$ 400 mil dias antes da eleição. (Foto: Reprodução/TV)

A ala militar do governo entrou em ação para tentar esfriar a crise provocada pela disputa entre o filho do presidente, Carlos Bolsonaro, e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. A estratégia é evitar uma demissão do ministro antes que as acusações contra ele sejam esclarecidas, dando tempo para Bebianno dar suas explicações e a Polícia Federal apurar as responsabilidades.

Ministros militares ficaram preocupados com o tiroteio disparado por Carlos Bolsonaro na direção de Bebianno, tornando públicas conversas do próprio presidente e gerando uma crise que desgasta a imagem do governo. Na avaliação de um ministro militar próximo a Jair Bolsonaro, tudo deveria ser resolvido internamente.

O ideal, segundo auxiliares diretos do presidente da República, seria que o próprio Bolsonaro evitasse sinalizar que apoia os ataques do filho na direção de um ministro que foi estratégico durante a campanha eleitoral. Um deles disse que não se pode “jogar ao mar” um aliado fiel sem antes ouvir sua versão, passando para os demais ministros a mensagem de que eles podem ser tratados da mesma forma.

Numa segunda etapa, a ala militar voltará a defender junto ao presidente que ele peça para seu filho Carlos Bolsonaro voltar para o Rio de Janeiro e reassumir o mandato de vereador. Um assessor palaciano lembrou que Bolsonaro já havia sido alertado que a mistura de família com governo acabaria gerando uma crise dentro do Palácio do Planalto.

Líder do PSL

Líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP) disse que, se as acusações sobre o ministro Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral) forem procedentes, ele tem que deixar o governo. “Se proceder alguma acusação, não dá para estar no time de confiança do presidente”, afirmou Olímpio ao deixar um evento em Brasília.

Olímpio disse acreditar que Bebianno ainda conta com apoio do presidente Jair Bolsonaro. “Ao meu entender, o Bebbiano continua gozando da extrema confiança dele”, afirmou. Em entrevista ao Jornal da Record, Bolsonaro admitiu a possibilidade da saída de Bebianno.

Bolsonaro afirmou ainda que determinou à Polícia Federal que investigue o caso e que deu carta branca ao ministro Sérgio Moro (Justiça). Filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) não quis falar com jornalistas e saiu antes do fim da posse da nova diretoria do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal.

Reportagem da Folha revelou que o PSL criou uma candidata laranja em Pernambuco que recebeu do partido R$ 400 mil de dinheiro público na eleição. O dinheiro foi liberado por Bebianno.

Maria de Lourdes Paixão, de 68 anos, que oficialmente concorreu a deputada federal e teve apenas 274 votos, foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o País, mais do que o próprio presidente Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (SP), essa com 1,079 milhão de votos.

 

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