Após as denúncias relacionadas à compra da vacina indiana Covaxin, a CPI da Covid vai investigar a negociação feita pelo Ministério da Saúde para a aquisição de 60 milhões de doses da vacina chinesa CanSino. O contrato, de aproximadamente R$ 5 bilhões, é intermediado pela empresa Belcher Farmacêutica, alvo da Polícia Federal na Operação Falso Negativo, no Distrito Federal.
No dia 4 de junho, o secretário de Vigilância em Saúde da pasta, Arnaldo Correia de Medeiros, assinou uma carta de intenção de compra com a Belcher Farmacêutica do Brasil, farmacêutica com sede em Maringá (PR), que representa a CanSino. De acordo com o documento, a vacina — a ser aplicada em dose única — custaria US$ 17 a dose, valor mais alto negociado pelo governo para um imunizante contra a covid-19.
A carta de intenção é uma das etapas da negociação para a compra da vacina, mas nenhum contrato foi assinado ainda. A empresa é alvo da Operação Falso Negativo, investigação conduzida pela Polícia Federal que apura desvios de verbas na compra de testes para detecção de covid-19 pelo governo do Distrito Federal.
As investigações indicam que a Belcher forneceu propostas fictícias em um processo de dispensa de licitação. A farmacêutica tem tido o apoio de empresários bolsonaristas, como Luciano Hang, do Grupo Havan, e Carlos Wizard, para viabilizar a venda de imunizantes.
Em março, Hang, Wizard e um dos sócios da Belcher, Emanuel Catori, chegaram a fazer uma transmissão ao vivo sobre a venda de vacinas para o Brasil.
Em depoimento à CPI da Covid no início de junho, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que o país pretende comprar mais doses de outras vacinas contra covid-19 e citou a eventual aquisição do imunizante da CanSino.
“Estamos vigilantes em relação a essa questão das vacinas. Foi pleiteado na Anvisa um outro registro a um outro imunizante de origem no país da China, que é a vacina CanSino. Eles pleiteiam lá o registro emergencial. É uma vacina de dose única e que também interessa ao Programa Nacional de Imunização”, disse ele, na ocasião.
Ricardo Barros
O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), divulgou nota na noite deste domingo (27) em que alega inocência, rebate declarações dadas pelos irmãos Miranda à CPI da Covid e em entrevistas e se coloca à disposição da comissão parlamentar de inquérito para prestar esclarecimentos.
“Fica evidente que não há dados concretos ou mesmo acusações objetivas, inclusive pelas entrevistas dadas no fim de semana pelos próprios irmãos Miranda”, disse Barros, em alusão ao deputado Luis Miranda (DEM-DF) e seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Barros. Segundo relato dos dois à CPI, Jair Bolsonaro citou o nome de seu próprio líder como possível envolvido em esquema de corrupção na compra da vacina Covaxin, por eles denunciados ao presidente.
“Reafirmo minha disposição de prestar os esclarecimentos à CPI da Covid e demonstrar que não há qualquer envolvimento meu no contrato de aquisição da Covaxin”, afirmou o deputado paranaense.
