Uma das principais redes de farmácias da Venezuela se chama Farmatodo. Mas lá não se encontram remédios básicos e essenciais, como antibióticos ou anti-inflamatórios. A rede, na verdade, deveria chamar-se Farmanada, porque reflete a dramática escassez de medicamentos que assola o país e transformou a vida de médicos e pacientes em pesadelo.
De acordo com ONGs locais, essa escassez alcança 92% do universo de remédios que deveriam estar à disposição dos venezuelanos. A única alternativa, para os que têm recursos, é comprar no mercado paralelo a preços muito mais caros ou trazer do exterior. Os que não têm essa possibilidade estão com uma saúde deteriorada e, nos piores casos, acabam morrendo.
Saúde e pobreza se misturam na Venezuela de Nicolás Maduro. Muitas doenças estão relacionadas à alimentação, ou melhor, à desnutrição, causada pelo desabastecimento. Médicos locais estimam que nos últimos dois anos os venezuelanos emagreceram, em média, nove quilos.
Essa é a estimativa de Julio Castro, que trabalha em uma clínica privada de Caracas e também no Instituto de Medicina Tropical da Universidade Central da Venezuela. Castro trata pacientes com Aids, câncer, diabetes e muitas outras doenças. “Para você ter uma ideia, na clínica privada onde trabalho, de 30 antibióticos que deveríamos ter, contamos apenas com quatro”, conta o médico.
A ONG Médicos Pela Saúde confirmou recentemente que, nos hospitais venezuelanos, cerca de 40% das camas estão em más condições e não podem ser usadas. Marino González, médico e professor da Universidade Simón Bolívar, considerado uma das eminências em política sanitária do país, assegura que hoje a Venezuela vive a maior crise em matéria de saúde da sua história.
Como chegou a Venezuela a esta situação crítica? De acordo com médicos e especialistas, pela “destruição do setor público e uma guerra irracional contra os laboratórios” instalados no país. Uma das maiores empresas passou de 800 funcionários a menos de 30. Estima-se que a dívida do governo com as empresas do setor chega atualmente a US$ 6 bilhões. (AG)
