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Alexandre de Moraes determina quebra de sigilo de perfis nas redes sociais após ameaças ao ministro Flávio Dino

Ministro permitiu compartilhamento de informações obtidas pela Polícia Civil de São Paulo em ação contra produtora do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). (Foto: Luiz Silveira/STF)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nessa quinta-feira (2) a abertura de uma investigação para apurar ameaças e ataques feitos por meio de redes sociais contra o ministro Flávio Dino, também integrante do STF, e contra o delegado da Polícia Federal (PF), Fábio Shor. A decisão ocorre após a divulgação de publicações com conteúdo violento, relacionadas ao voto proferido por Dino na ação penal que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outras sete pessoas acusadas de planejar um golpe de Estado em 2022.

Além da abertura da investigação, Alexandre de Moraes determinou que as plataformas digitais Instagram, TikTok, X (antigo Twitter) e YouTube forneçam, no prazo de 48 horas, informações cadastrais completas dos perfis responsáveis pelas publicações que contêm ameaças ou incitação à violência. O objetivo é identificar os autores das mensagens, que fazem referência a eventos como os protestos ocorridos no Nepal — manifestações que culminaram na fuga do primeiro-ministro, destruição de prédios públicos e morte de mais de 50 pessoas.

O próprio ministro Flávio Dino enviou um ofício à Polícia Federal relatando as ameaças que recebeu e solicitando providências. A PF, por sua vez, encaminhou o caso ao ministro Moraes, questionando se o novo episódio deveria ser apurado no âmbito do inquérito das chamadas “milícias digitais”, já em curso no Supremo desde 2021.

De acordo com Moraes, as ameaças e ataques apresentam relação com os fatos investigados nesse inquérito, que apura a existência de uma “organização criminosa digital com núcleos de produção, publicação, financiamento e articulação política, com o objetivo de atentar contra a democracia e o Estado de Direito”. O inquérito foi instaurado para investigar ataques sistemáticos às instituições democráticas por meio do uso coordenado de redes sociais.

O ministro também atendeu a um pedido da Polícia Federal e determinou que as empresas responsáveis pelas plataformas citadas — Meta Platforms (responsável por Instagram e Facebook), TikTok, X e YouTube — recebam ofícios com a exigência de que, no prazo de 48 horas, repassem os dados cadastrais vinculados aos perfis investigados.

Em manifestação enviada ao STF, a PF argumentou que os comportamentos registrados “têm o condão de causar temor real nas vítimas e, consequentemente, obstaculizar o desempenho independente e imparcial de suas funções enquanto agentes públicos”. A investigação segue sob supervisão do Supremo. (Com informações do jornal O Globo)

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