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“Alguns delegados da Polícia Federal tiveram desvios político-partidários”, disse o novo diretor-geral

Novo diretor-geral prometeu "continuidade" de operações especiais, como a Lava-Jato, e defendeu harmonia com MP. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

Indicado para substituir Leandro Daiello, diretor-geral da PF (Polícia Federal) mais longevo do período democrático, o delegado Fernando Segóvia rechaça a possibilidade de pressões políticas interferirem nas investigações em andamento, promete dar mais velocidade aos inquéritos contra políticos e afirma ter como meta de gestão a unificação da corporação responsável pelas maiores operações de combate à corrupção do Brasil. Segóvia falou ao jornal Estado de S.Paulo na sede da PF, em Brasília.

O novo diretor da PF negou indicação política de seu nome para o cargo e disse que não tem relação com o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) e com o ex-presidente José Sarney, ambos do PMDB. Sobre o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, o delegado afirmou que a relação se deu por causa de um convite para criação de um gabinete de segurança institucional na corte. Sobre a gestão na PF, o delegado disse que pretende dar um “upgrade” na equipe que cuida dos inquéritos de políticos para que eles tenham a mesma velocidade das investigações conduzidas na primeira instância. “Como há essa demanda reprimida dentro do STF (Supremo Tribunal Federal) e a necessidade que se tragam essas investigações na mesma velocidade das outras, talvez haja necessidade de reforço nessas investigações.”

Confira algumas perguntas feitas à Segóvia

O senhor é apontado como apadrinhado político do ministro Eliseu Padilha, do ex-presidente José Sarney e do ministro do TCU Augusto Nardes. Qual sua relação com eles?

Não tenho relação nenhuma nem com o ministro Padilha, nem com o ex-presidente Sarney. O ministro Nardes conheci em missão na África do Sul. Ele foi trabalhar lá, como eu era adido policial, foi pedido que eu fizesse trabalho de apoio e segurança. Eu o acompanhei, conversamos vários assuntos e quando a gente voltou para o Brasil o ministro conversou com o Leandro Daiello sobre a possibilidade de eu ajudar no TCU para que fosse feito lá um gabinete de segurança institucional. O ministro Nardes conversou com o ministro Raimundo Carreiro, presidente do TCU, e me chamaram no gabinete para falar sobre a importância da criação do gabinete de segurança. A partir dessa conversa o ministro Carreiro veio na PF, conversou com Daiello e acertaram minha ida para o TCU. Foi feita a formalização na época do ex-ministro Osmar Serraglio, só que quando ia começar a rodar o documento, o ministro Serraglio caiu. Quando ele caiu, o ministro Raimundo ficou esperando um novo momento para haver essa nova agenda, mas nunca houve. Nesse meio tempo conheci o ministro Nardes, fui na casa dele uma vez, em um jantar, falamos sobre segurança institucional e nada mais do que isso. Já o ministro Padilha eu não o conheço pessoalmente. Conheci no Palácio do Planalto quando teve a confirmação da indicação. Fui apresentado e conversamos uns dez minutos. Dizer que eu sou apadrinhado do Sarney, eu não o conheci em momento algum quando estava no Maranhão, encontrei com ele uma única vez aqui em Brasília em uma solenidade.

Onde e quando foi o encontro com o ex-presidente Sarney?

Não lembro. Acho que foi no Congresso, na época ele ainda que era senador. Naquelas galerias do Senado, quando eu estava ainda fazendo, acho que a PEC 37. Faz muito tempo.

 

 

 

Como foi sua conversa com o presidente Michel Temer?

O presidente Michel Temer me chamou no sábado à tarde no Palácio do Jaburu. Ele queria conversar sobre alguns temas da PF e saber o que eu achava. A ideia é que a PF cumpra fielmente a Constituição e todas as leis. A gente percebe que algumas investigações ao longo da história da PF tiveram alguns desvios dentro das linhas investigativas. Alguns delegados nossos tiveram alguns desvios no sentido, eu diria, até político-partidários. Então há uma necessidade muito grande de que a PF tenha um trabalho muito profissional que busque somente a verdade. Tudo o que a gente fizer tem que ter o eixo da legalidade e não desviar qualquer tipo de ação da PF, até porque o ano que vem é delicadíssimo por questões político-partidárias. A gente vai ter que trabalhar no limite da lei, para que não haja nenhum tipo de desvio. Por isso vai haver um controle em todas as superintendências, para que nenhuma superintendência, nenhum delegado, possa vir a tentar fazer nenhum tipo de ação que desvirtue ou atrapalhe o processo eleitoral do ano que vem.

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