A possível fuga de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provocou surpresa e insatisfação entre aliados políticos do senador. Reservadamente, integrantes do entorno do candidato derrotado afirmam não compreender a decisão, caso seja confirmada. Um deles chegou a classificá-la como “inaceitável”.
O principal temor é que a ausência de Flávio enfraqueça a mobilização política considerada fundamental nas próximas semanas, justamente no momento em que o bolsonarismo tenta se reorganizar após a derrota nas urnas.
A preocupação é ainda maior porque o próprio Flávio havia anunciado que assumiria a liderança da oposição no quarto mandato de Lula e prometido reunir deputados e senadores para organizar a atuação do grupo no Congresso Nacional.
Um dos aliados ouvidos pela CNN Brasil resumiu o sentimento de incerteza dentro do grupo: “A sensação é que, nesse momento, o barco fica sem capitão”.
A saída do País ocorre em meio às articulações para reorganizar a oposição e aumenta a preocupação de aliados sobre a capacidade de Flávio de manter o grupo mobilizado após a eleição.
O presidente dos EUA, Donald Trump, autorizou a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos após sua derrota nas eleições presidenciais, informou um assessor do presidente americano à CNN.
Autoridades do governo Trump estavam cientes, na segunda-feira (26), de que Bolsonaro tinha cerca de 24 horas para entregar seu passaporte, e deixaram claro ao candidato brasileiro que sua entrada nos EUA seria permitida, disse o assessor.
Os EUA estão emitindo vistos para Bolsonaro e sua família, informaram anteriormente duas autoridades americanas à CNN.
Uma fonte brasileira próxima a Flávio afirmou que o senador temia ser preso no Brasil. Ele está sendo investigado por supostos atos de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Uma pessoa a par da situação disse à CNN, na tarde dessa terça-feira (27), que Flávio chegou aos EUA com sua mulher e filhas. Não estava claro onde ele desembarcou.
Não se sabe, no momento, se Trump e Bolsonaro conversaram diretamente por telefone antes da partida do político brasileiro.
A decisão do senador acontece após a PF (Polícia Federal) solicitar a entrega dos passaportes do senador na segunda-feira.
Ainda na manhã dessa terça-feira, a PF acionou autoridades argentinas sobre um eventual risco de fuga de Flávio. O senador teria até as 11h para entregar os documentos à PF, segundo determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), o que não ocorreu.
Com isso, a corporação cancelou tanto o passaporte comum como o diplomático, destinado a autoridades, levando a uma restrição aos documentos nos portos e aeroportos ao redor do mundo nos sistemas de migração.
O STF determinou a entrega dos passaportes e seus cancelamentos após receio de fuga por parte de investigadores da PF que tocam o inquérito contra Flávio por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A medida também se baseou na fala do irmão Eduardo Bolsonaro, que disse em uma entrevista na internet que apoiava a saída do Brasil de Flávio caso ele perdesse as eleições presidenciais, como ocorreu no domingo (25). As informações são da CNN.
