Alvo de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) cumprido nessa terça-feira (13), o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) é proprietário de um apartamento localizado em um dos endereços considerados mais valorizados de Salvador. Um dos mandados expedidos contra o parlamentar, no âmbito da Operação Overclean, foi cumprido no Edifício Mansão Windberger, situado no Corredor da Vitória, área conhecida por concentrar alguns dos metros quadrados mais caros da capital baiana, conforme apuração do portal g1.
O Mansão Windberger é um edifício de alto padrão que reúne uma série de estruturas exclusivas destinadas aos moradores. O prédio conta com píer particular, ancoradouro para embarcações, estacionamento específico para motos aquáticas e um teleférico privativo que faz a ligação direta do edifício até o mar. Além disso, o imóvel oferece vista panorâmica para a Baía de Todos-os-Santos, um dos principais cartões-postais da cidade. As unidades residenciais do edifício podem chegar a até 993 metros quadrados de área, e o valor de mercado de um apartamento pode ultrapassar R$ 55 milhões.
O prédio de luxo também abriga outros moradores conhecidos do público. Entre eles estão o cantor Bell Marques e o jogador de futebol Everton Ribeiro, que atua pelo Esporte Clube Bahia, segundo informações disponíveis sobre o condomínio.
A operação deflagrada pela PF nessa terça investiga suspeitas de desvio de emendas parlamentares e lavagem de dinheiro. Em nota divulgada após o cumprimento dos mandados, o deputado Félix Mendonça Júnior afirmou que sua atuação parlamentar “sempre se limitou” à apresentação de emendas com o objetivo de garantir recursos federais a municípios do estado da Bahia. O parlamentar negou qualquer participação em negociações relacionadas à execução dos repasses e declarou que nunca indicou empresas para a realização de obras ou serviços. Ele também afirmou não exercer função de ordenador de despesas.
Investigação
De acordo com informações divulgadas pela Polícia Federal, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão nessa terça, tanto no Estado da Bahia quanto no Distrito Federal. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 24 milhões em contas bancárias pertencentes a pessoas físicas e jurídicas investigadas no âmbito da operação.
A Operação Overclean conta com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal. Segundo a PF, o grupo investigado é suspeito de ter movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão por meio de contratos considerados fraudulentos e de obras supostamente superfaturadas. As investigações tiveram início a partir de indícios relacionados ao uso de emendas parlamentares destinadas ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).
Com o avanço das apurações, os investigadores passaram a analisar suspeitas de pagamento de propina e de tráfico de influência, que teriam como objetivo destravar contratos públicos e viabilizar a liberação de recursos. Entre os alvos da operação está o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, apontado pela PF como operador e articulador político do esquema investigado. (Com informações do jornal O Globo)
