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Ambientes arejados e o uso de máscara são formas simples de evitar o contágio do coronavírus

Shen Bohan - 23.mar.20/Xinhua Funcionários realizam desinfecção de um elevador na estação de trem de Hankou em Wuhan, China. Funcionários realizam desinfecção de um elevador na estação de trem de Hankou em Wuhan, China. (Foto: Reprodução)

Diversos estudos buscaram entender como é a contaminação do Sars-CoV-2 pelo ar. Até o momento, pesquisas indicam que o vírus permaneça no ar por algum tempo, embora as gotículas de maior densidade sejam mais facilmente dissipadas, enquanto as partículas aerossóis podem permanecer até 3 horas no ar.

De acordo com Margareth Dalcolmo, pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, seguindo essa lógica é provável que, se uma pessoa espirrou ou tossiu dentro de um elevador, aumente o risco de contágio para alguém que veio depois, não só pelo contato com as superfícies mas também pelas partículas presentes no ar.

Por isso, a recomendação dos especialistas desde o início da pandemia foi evitar o uso de elevadores e, quando necessário, entrar no elevador com no máximo uma pessoa a mais e usar máscaras.

“Se a pessoa está infectada ou com suspeita de contaminação, é imprescindível que use a máscara, e isso foi preconizado desde o início da doença. Assim, a barreira física formada pela máscara vai conter as gotículas aerossóis”, completa.

Pesquisadores chineses descreveram o contágio de pelo menos nove pessoas em um restaurante em Cantão, cuja transmissão teria sido aumentada pelo ar condicionado do estabelecimento.

No caso do restaurante, o tempo médio de permanência dos clientes foi de uma hora. “Mas em elevadores, mesmo naqueles de prédios com 20 andares, permanecemos no máximo um minuto”, reforça Dalcolmo.

A contaminação em elevadores seria mais provável, afirma a pneumologista, através das superfícies, que devem ser higienizadas constantemente.

Outros estudos encontraram também o vírus ativo em ambientes hospitalares, tanto de enfermarias quanto de unidades de terapia intensiva (UTI). Nesses casos, a ventilação natural e a desinfecção dos ambientes com produtos específicos são formas de diminuir o risco de contágio.

A carga viral encontrada em superfícies e ventiladores hospitalares, no entanto, pode variar muito e ser de difícil detecção, afirma Leonardo Weissmann, médico infectologista e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Em muitos ambientes infectantes hospitalares, a ventilação dos recintos possui pressão negativa, impedindo o ar contaminado de passar para corredores e salas adjacentes. Nessas salas, a entrada é autorizada apenas a pessoas autorizadas e com EPIs, e a higienização é constante, visando diminuir o risco de propagação do vírus.

Weissmann reforça que manter a limpeza e desinfecção de rotina, a boa ventilação dos ambientes e evitar aglomerações, saindo de casa somente quando estritamente necessário e usando máscaras, são maneiras eficazes de mitigar a contaminação.

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