Diversos estudos buscaram entender como é a contaminação do Sars-CoV-2 pelo ar. Até o momento, pesquisas indicam que o vírus permaneça no ar por algum tempo, embora as gotículas de maior densidade sejam mais facilmente dissipadas, enquanto as partículas aerossóis podem permanecer até 3 horas no ar.
De acordo com Margareth Dalcolmo, pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, seguindo essa lógica é provável que, se uma pessoa espirrou ou tossiu dentro de um elevador, aumente o risco de contágio para alguém que veio depois, não só pelo contato com as superfícies mas também pelas partículas presentes no ar.
Por isso, a recomendação dos especialistas desde o início da pandemia foi evitar o uso de elevadores e, quando necessário, entrar no elevador com no máximo uma pessoa a mais e usar máscaras.
“Se a pessoa está infectada ou com suspeita de contaminação, é imprescindível que use a máscara, e isso foi preconizado desde o início da doença. Assim, a barreira física formada pela máscara vai conter as gotículas aerossóis”, completa.
Pesquisadores chineses descreveram o contágio de pelo menos nove pessoas em um restaurante em Cantão, cuja transmissão teria sido aumentada pelo ar condicionado do estabelecimento.
No caso do restaurante, o tempo médio de permanência dos clientes foi de uma hora. “Mas em elevadores, mesmo naqueles de prédios com 20 andares, permanecemos no máximo um minuto”, reforça Dalcolmo.
A contaminação em elevadores seria mais provável, afirma a pneumologista, através das superfícies, que devem ser higienizadas constantemente.
Outros estudos encontraram também o vírus ativo em ambientes hospitalares, tanto de enfermarias quanto de unidades de terapia intensiva (UTI). Nesses casos, a ventilação natural e a desinfecção dos ambientes com produtos específicos são formas de diminuir o risco de contágio.
A carga viral encontrada em superfícies e ventiladores hospitalares, no entanto, pode variar muito e ser de difícil detecção, afirma Leonardo Weissmann, médico infectologista e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Em muitos ambientes infectantes hospitalares, a ventilação dos recintos possui pressão negativa, impedindo o ar contaminado de passar para corredores e salas adjacentes. Nessas salas, a entrada é autorizada apenas a pessoas autorizadas e com EPIs, e a higienização é constante, visando diminuir o risco de propagação do vírus.
Weissmann reforça que manter a limpeza e desinfecção de rotina, a boa ventilação dos ambientes e evitar aglomerações, saindo de casa somente quando estritamente necessário e usando máscaras, são maneiras eficazes de mitigar a contaminação.
