Após Luiz Inácio Lula da Silva ser conduzido para depor sobre sua relação com empreiteiras investigadas pela Operação Lava-Jato, manifestantes favoráveis e contrários ao petista brigaram em frente à casa do ex-presidente e no aeroporto de Congonhas (SP). O PT convocou um protesto em solidariedade a Lula, e o Movimento Brasil Livre, que defende o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, marcou um ato a favor da Lava-Jato.
O presidente emérito do Inter-American Dialogue, um centro de debates e pesquisas em Washington (EUA), Peter Hakim, disse que apesar da polarização o Brasil não deve seguir os passos da Venezuela, onde confrontos entre defensores e críticos do governo têm provocado mortes e agravado a crise econômica. “O Brasil não tem o tipo de divisão [radical] que vemos na Venezuela entre chavistas linha-dura, grupos de baixa renda que se beneficiaram enormemente de programas sociais, e uma classe média e alta que sente que o País foi tomado de assalto”, afirmou.
Para Hakim, a relação entre governo e oposição no Brasil sempre foi mais fluida. “Mesmo a transição do regime militar para o civil foi feita com facilidade.” Analistas afirmam, no entanto, que a operação contra Lula dificulta ainda mais a posição de Dilma no governo. A consultoria Eurasia divulgou um comunicado em que diz considerar provável a queda da chefe do Executivo brasileiro.
