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Ao mirar a China, que tenta invadir mercados globais com o aço que está sobrando em suas siderúrgicas, Trump acertou diretamente o Brasil

Ao fixar tarifa extra de 25% a todo aço importado, Trump deu prazo de 15 dias para os países apresentarem sua defesa. (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

Ao mirar a China, que tenta invadir mercados globais com o aço que está sobrando em suas siderúrgicas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acertou diretamente o Brasil. Segundo maior fornecedor do produto para o mercado norte-americano (o primeiro é o Canadá, que ficou de fora da super taxação), o País exportou US$ 2,6 bilhões em aço para os Estados Unidos em 2017, o equivalente a um terço de toda a venda externa da matéria-prima local.

A perda para as exportações brasileiras pode ser de US$ 500 milhões neste ano, na avaliação do presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Nas contas de um estudo do Peterson Institute chegaria a US$ 1 bilhão. Já o presidente do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes, avalia que a perda seria muito maior. “Se fechar o mercado, vamos perder todas as exportações, ou seja, os US$ 2,6 bilhões que vendemos em 2017”, apontou Lopes, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo.

Castro é mais conservador nas projeções, pois considera nos cálculos contratos de exportação para os EUA entre empresas do mesmo grupo, que certamente serão honrados, mesmo com uma taxação maior. Mas alerta para outro ponto. “Corremos o risco de perder duas vezes: deixar de exportar e importar mais”, ponderou. Como o País está saindo da recessão e as alíquotas de importação não são proibitivas, há chance de que os concorrentes na produção de aço ampliem as vendas para o Brasil para compensar perdas nos EUA. Só no primeiro bimestre deste ano as importações brasileiras de produto acabado cresceram 38%.

Lopes, porém, vê “grandes chances” de o Brasil ser excluído do tarifaço nas negociações que vão ocorrer nos próximos 15 dias. “Acredito que o governo norte-americano vai entender que há uma relação de complementaridade, pois, ao mesmo tempo em que exportamos, importamos US$ 1 bilhão em carvão mineral dos EUA no ano passado”.
É com isso que contam as siderúrgicas que destinam 32,7% da produção do setor para os EUA.

O ministro da Indústria e Comércio brasileiro, Marcos Jorge de Lima, já apresentou argumentos em defesa da exclusão do Brasil ao secretário norte-americano, Wilbur Ross, em reunião no início do mês em Washington. Ele disse que vai recorrer aos canais abertos pelo próprio governo Trump. “Nós vamos recorrer dentro do processo nos EUA. Nosso primeiro recurso será no âmbito bilateral. Dito isso, caso necessário, não descartamos nenhuma possibilidade, até mesmo de recorrer no âmbito multilateral”, afirmou o ministro.

Ao fixar tarifa extra de 25% a todo aço importado, Trump deu prazo de 15 dias para os países apresentarem sua defesa, o que abriu um balcão de negócios em Washington.

Ternium, Usiminas, Vallourec, ArcelorMittal e CSP exportam para os Estados Unidos. A Usiminas informou que a sobretaxa não deve ter impacto relevante em seus negócios, uma vez que os EUA responderam por 4% de suas exportações em 2017. Para a CSP, os Estados Unidos correspondem por 11% das exportações. Ternium, Vallourec e ArcelorMittal não se manifestaram.

Negociações

A brecha aberta por Trump para que governos possam negociar uma isenção da sobretaxa sobre o aço anunciada pelos EUA levou diplomatas de vários países a uma corrida para garantir tratamento preferencial por parte de Washington. Todos tentam provar que são os “verdadeiros aliados” dos EUA e que seu produto não é o motivo da ameaça que os americanos estariam vivendo.

A Europa indicou que quer usar os próximos 15 dias para negociar uma isenção para os países exportadores da região. “Estamos inquietos com a medida”, disse a chanceler alemã, Angela Merkel. “O melhor seria que fôssemos isentados. Estamos prontos para agir. Mas ninguém ganharia com isso e é por esse motivo que buscamos um diálogo.”

 

 

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