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Aos 54 anos, rainha da Holanda se alista no Exército

Rainha da Holanda se alista no Exército em movimento simbólico de apoio ao militarismo. (Foto: Reprodução)

A rainha Máxima, dos Países Baixos, alistou-se no Exército holandês como reservista em um momento em que países de toda a Europa procuram fortalecer suas Forças Armadas e diminuir a dependência militar do continente em relação aos Estados Unidos. A mulher de 54 anos decidiu se alistar porque “a segurança não pode mais ser dada como garantida”, informou a Casa Real dos Países Baixos em comunicado.

Na Europa, governos aceleram iniciativas para reforçar suas capacidades de defesa. Os Estados Unidos têm pressionado aliados a assumir parcela maior do custo de sua própria proteção, e diversos países prometeram ampliar significativamente os gastos militares. Parte das lideranças europeias também passou a defender forças armadas maiores e mais integradas no âmbito da União Europeia.

O movimento da família real holandesa para enfatizar o serviço militar — e a necessidade de prontidão em um cenário geopolítico considerado tenso — não é isolado.

Entre casas reais europeias, o treinamento militar é comum, embora normalmente ocorra mais cedo na vida. A princesa Ingrid Alexandra, da Noruega, concluiu recentemente 15 meses de serviço. A princesa Elisabeth, da Bélgica, terminou em 2021 um ano de formação em Ciências Sociais e Militares na Academia Real Militar belga. Integrantes da família real britânica também já serviram às Forças Armadas.

Na Espanha, a princesa Leonor ingressou na Academia Geral do Ar e do Espaço e, no ano passado, realizou seu primeiro voo militar solo.

Máxima não é a única integrante da realeza holandesa a aderir recentemente ao Exército. No mês passado, sua filha, a princesa Catharina-Amalia, foi promovida a cabo após concluir o treinamento militar.

A rainha recebeu a patente de soldado e iniciou o treinamento no último dia 4. Imagens divulgadas pela Casa Real mostram-na praticando tiro com pistola, escalando corda e marchando em formação.

Após concluir o treinamento, Máxima deverá ser promovida a tenente-coronel. Reservistas atuam nas Forças Armadas em regime de meio período, geralmente conciliando a função com atividades civis ou estudos, e podem ser mobilizados quando necessário, em qualquer ramo militar.

Assim como outros países europeus, os Países Baixos buscam expandir suas capacidades militares diante da ameaça percebida da Rússia e do objetivo de maior autonomia em defesa.

Os três partidos que devem liderar o país após as eleições recentes concordam com essa diretriz. “Não aceitamos permanecer dependentes de outros para nossa proteção”, afirmaram no acordo de coalizão.

O plano de governo prevê elevar os gastos militares para 3,5% do Produto Interno Bruto até 2035, acima dos 1,9% registrados em 2024. A proposta também inclui ampliar o efetivo das Forças Armadas para pelo menos 122 mil pessoas, ante menos de 80 mil atualmente.

Para estimular o interesse de jovens holandeses pela carreira militar, o futuro governo pretende exigir que todos os cidadãos de 17 anos respondam a um questionário sobre a possibilidade de trabalhar nas Forças Armadas.

“Se isso não produzir resultados suficientes, consideraremos outras medidas, como a reintrodução do serviço militar seletivo”, diz o acordo. As informações são dos jornais O Globo e The New York Times.

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