Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020

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Notícias Apesar da queda no primeiro semestre, as exportações do agronegócio gaúcho devem crescer até o fim do ano

A colheita no Brasil vai crescer com um aumento de 2,5% na área plantada. (Foto: José Schafer/ Emater-RS)

Mesmo com recuo no semestre passado (na comparação com o mesmo período de 2018), as exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul devem crescer até o fim do ano. A projeção consta em um estudo divulgado pela Seplag (Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão) nessa terça-feira, quarto dia de realização da 42º Expointer, que prossegue até domingo no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.

Elaborado pelo DEE (Departamento de Economia e Estatística da pasta) e apresentado durante o evento intitulado “Painel do Agronegócio do RS”, o levantamento contabiliza US$ 5,1 bilhões em vendas externas do setor no semestre passado. O montante representa uma baixa de 15,5% na comparação com o mesmo período do ano passado.

A produção doméstica está em alta mas a soja tem grande influência no desempenho negativo, com uma baixa expressiva de 48,2%, tanto em termos de volumes embarcados quanto na média de preços. Segundo a Seplag, os números também se explicam diante do cenário atípico vivido em 2018, quando houve forte demanda do produto por parte da China, principal parceiro do setor primário gaúcho.

O complexo soja responde pelo maior peso nas exportações agropecuárias do Rio Grande do Sul nos primeiros seis meses do ano, com US$ 1,6 bilhão. Nos segmentos seguintes o comportamento foi inverso, com crescimentos significativos. O segmento de produtos florestais fechou o período com a marca de US$ 1 bilhão exportado – alta de 56,2%. Já a cadeia do fumo e derivados cresceu 25,2%, passando dos US$ 794 milhões entre janeiro e julho.

Em quarta posição no ranking de importância no que se refere às exportações gaúchas, o segmento de carne somou US$ 659,5 milhões no período. Neste segundo trimestre, em especial, o setor registrou o mais significativo salto em termos de vendas para o exterior: 74,4%, puxado pela comercialização das carnes de frango (108,2%) e suína (91%).

Emprego

O painel também avaliou a geração de empregos formais pelo setor e projetou um cenário mais otimista para o fechamento do ano. “Apesar da fraca retomada na economia brasileira, o Rio Grande do Sul vem crescendo acima da média nacional”, avalia a secretária Leany Lemos.

Ainda segundo ela, o agronegócio tem um peso importante, pois responde por mais de um terço do PIB (Produto Interno Bruto) gaúcho: “Por isso, se confirmando este incremento nas exportações, nossa expectativa é de termos bons resultados na economia como um todo no segundo semestre”.

Panorama global

Como os primeiros seis meses do ano foram marcados por uma baixa demanda externa (até julho, apenas 25% da safra gaúcha foi embarcada, contra um índice de 43,6% em 2018), a alta produção da safra atual é um indicador do potencial de crescimento das exportações de soja no segundo semestre.

“Para tanto, é preciso que a conjuntura internacional ajude”, observou o economista Sergio Leusin Júnior, que participou da pesquisa. “Em especial, o mercado precisa reduzir o grau de incertezas diante do acirramento nesta disputa comercial entre Estados Unidos e China.”

Os reflexos do contexto externo ficam visíveis também quando se observa o desempenho das exportações do segundo trimestre deste ano, comparativamente ao mesmo trimestre do ano anterior. Houve queda no segundo período, em comparação aos primeiros três meses em termos de valor (-18,1%) e no volume dos embarques (-14,5%), representando diminuição de US$ 617,4 milhões no faturamento. A soja respondeu sozinha por US$ 805 milhões deste prejuízo, dada a redução da demanda chinesa e de maior oferta no mercado internacional.

O trabalho sobre os indicadores do agronegócio mostra que a China ainda é o principal destino da produção gaúcha: 35,6%. No entanto, por causa da queda de compras de soja, os negócios com os chineses tiveram a maior queda absoluta, de 34,8%, o que significou perda e US$ 978,1 milhões no primeiro semestre na comparação com igual período do ano passado.

Em compensação, contrariando a tendência de queda, Estados Unidos e Arábia Saudita tiveram os maiores incrementos nas compras de produtos do agronegócio gaúcho. Enquanto os primeiros ampliaram a compra de máquinas e implementos, os árabes aumentaram a aquisição de carne de frango.

(Marcello Campos)

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