O volume de crédito concedido por instituições financeiras no Brasil cresceu 10,2% em 2025, superando as expectativas do Banco Central, que projetava uma alta de 9,3% para o período. Foi a 8ª taxa de crescimento anual consecutiva. Os dados, divulgados nessa semana pela autoridade monetária, apontam um avanço significativo na carteira total de crédito, que atingiu a marca de R$ 7,1 trilhões.
Em um ano marcado tanto pela Selic em patamar elevado, de 15% ao ano, quanto pela atividade econômica resiliente, a expansão do crédito foi puxada principalmente pelas operações com pessoas físicas. O saldo desse tipo de operação teve alta de 11,6%, acima da projeção de 10,4% do BC. O saldo total de crédito para as famílias aumentou 1% no último mês, chegando a R$ 4,424 trilhões. O crédito para empresas também cresceu, embora em ritmo mais moderado, com expansão de 8,1%.
Segundo analistas do setor financeiro, o resultado surpreende positivamente, já que ocorreu em um ambiente de juros elevados — com a taxa Selic mantida em 15% durante grande parte do ano — o que, teoricamente, desestimula a tomada de empréstimos. Ainda assim, a demanda por financiamento, especialmente em modalidades como crédito consignado, cartão de crédito e financiamento habitacional, impulsionou o saldo total.
Destaque
Outro destaque de dezembro foi o avanço das concessões dessazonalizadas totais, que cresceram 4,6% em relação ao mês anterior. O volume de novos empréstimos na série dessazonalizada, que retira fatores atípicos na análise de um determinado período como número de dias úteis a mais ou a menos-, passou de R$ 655,4 bilhões em novembro para R$ 685,6 bilhões no último mês de 2025.
A alta das operações de crédito em 2025, apesar de maior que as projeções do Banco Central, representou desaceleração em relação a 2024, quando o avanço foi de 11,5%. A observação foi feita pelo chefe do Departamento de Estatísticas da autoridade monetária, Fernando Rocha, em entrevista coletiva para detalhar os números.
Avaliação
Em nota, o Banco Central avaliou que a expansão reflete a resiliência da atividade econômica e maior confiança das famílias e empresas no cenário macroeconômico. O aumento da massa salarial e a recuperação do emprego também contribuíram para o maior apetite por crédito.
O resultado de 2025 mantém a trajetória de crescimento do setor de crédito no Brasil, que já vinha mostrando sinais de recuperação desde o segundo semestre de 2024. Para 2026, o Banco Central projeta uma expansão mais moderada, entre 8% e 9%, dependendo da evolução da inflação e da política monetária.
O desempenho robusto do crédito é visto como um dos motores do consumo interno e do crescimento econômico, embora especialistas alertem para a necessidade de atenção ao nível de endividamento das famílias, que segue em patamar elevado. (As informações são da agência Reuters e Valor Econômico)
