Apesar das altas expectativas de Estados e municípios com a Sputnik V (até pela falta de outras vacinas acessíveis em termos de doses disponíveis e valores), secretários de Saúde veem com cautela os trâmites em torno da liberação do imunizante no Brasil. A vacina russa conta com lobby de nomes importantes do mundo político. Mas, desde meados de fevereiro, nem a União Química, representante brasileira, e nem autoridades russas enviaram novos documentos para a Anvisa avançar com o pedido de uso emergencial ou de estudos de fase 3.
Na comunidade científica e entre técnicos da agência, há algumas questões sem resposta ainda, como: quando começa e qual será a escala de produção das doses no Brasil? As fábricas da União Química, aliás, ainda não são certificadas pela Anvisa para nenhuma etapa da produção da vacina.
Com a lei sancionada nesta semana pelo governo, Estados e municípios ficam autorizados a importar vacinas, mediante autorização excepcional e temporária da Anvisa. O texto diz que a agência pode ainda requisitar mais informações e, claro, negar a autorização. Mas quem está envolvido nas discussões aposta que a Anvisa será cada vez mais pressionada a liberar.
Esse é um retrato do Brasil sem vacinas e com mais de 2 mil mortos por dia. Os gestores se viram como podem.
Ceará
O governador Camilo Santana (PT) reuniu-se virtualmente, no domingo (14), com representantes do Fundo Soberano Russo para tratar sobre a compra da vacina russa Sputnik V pelo Ceará. De acordo com ele, há previsão de o Estado adquirir 5,87 milhões de doses do imunizante.
Também segundo o chefe do Executivo estadual, o Governo espera assinar contrato com o Fundo Soberano Russo no começo da semana.
Para o jornal O Globo, o presidente do Consórcio Nordeste e governador do Piauí, Wellington Dias (PT), explicou que não há tempo viável para a entrega das doses neste mês.
Desta forma, a distribuição dos primeiros 2 milhões de imunobiológicos acontecerá em abril, seguida por 5 milhões em maio e assim por diante, até julho, data em que a transferência do lote comprado pelos nove estados é encerrada.
Em entrevista à CNN Brasil, Wellington Dias pontuou que o Consórcio Nordeste pagará um preço menor pela Sputnik V do que o Ministério da Saúde.
Conforme o gestor, enquanto o grupo formado pelos governadores da região desembolsarão US$ 9,95 por cada dose, a pasta terá que investir US$ 13, adquirindo somente 10 milhões. A vantagem acontece porque as negociações foram realizadas desde 2020, o que barateou o custo.
