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Apesar das perdas causadas pela falta de chuvas, o Rio Grande do Sul deve ter a quinta maior safra de verão de sua história

Culturas de verão como a de milho e feijão sofreram duras perdas com a estiagem. (Foto: EBC)

Dados preliminares da Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), conveniada à Seapdr (Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural), aponta que as culturas de verão, especialmente as de milho e soja, tiveram grandes perdas devido aos efeitos da falta de chuvas. Mesmo assim, esta será a quinta maior safra de verão da história do Rio Grande do Sul.

A estimativa indica uma uma produção de 28,7 milhões de toneladas e um impacto econômico no valor bruto superior a R$ 32 bilhões. O levantamento sobre a situação das lavouras da safra de verão 2019/2020 foi apresentado nessa terça-feira na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.

O diretor técnico da Emater-RS, Alencar Rugeri, apresentou os dados coletados em todo o território gaúcho, considerando a situação das lavouras até final de fevereiro. Analisando cada cultura, as grandes perdas envolvem as safras do milho, grão e silagem, e da soja. A área de plantio do milho no Estado, considerando a estimativa inicial e a área atual, teve aumento de 1,5%.

Porém, os reflexos da estiagem apontam redução superior a 20% na média de produção e na produtividade da cultura. A produção esperada para esta safra era de 5,9 milhões de toneladas e produtividade de 7,7 mil kg/ha, mas o cenário encontrado a partir do levantamento indica redução de 21% na produção (4,6 milhões de toneladas) e produtividade média de 5,9 mil kg/ha (redução de 22,3%).

Em relação ao milho silagem, a situação não difere. A redução da produção e da produtividade chegam a cerca de 20%. A expectativa de produção inicial era de 12,5 milhões de toneladas, e a estimativa atual é de 9,9 milhões de toneladas, redução de 20,7%. Em comparativo com a safra passada (2018/19), a cultura do milho reduziu 18% da sua produção (em torno de 1 milhão de toneladas a menos).

Soja

A soja também apresentou resultados negativos na estimativa da safra de verão. Entre a expectativa inicial e a estimativa atual, a redução na produção foi de 16,2%, nos mais de 5,9 milhões de hectares plantados. Dos esperados 19,7 milhões de toneladas, a cultura deverá encerrar a safra com produção aproximada de 16,5 milhões de toneladas. Em comparação com a safra passada (2018/19), a cultura apresenta redução de 10% na produção.

Os efeitos da estiagem afetaram as demais culturas de verão, como o feijão e o arroz. Em comparação com a expectativa inicial e a estimativa atual, o feijão teve queda de 7,4% na produtividade e de 8,7% na produção. Os resultados da safra do arroz também encolheram. A cultura teve redução de 1,8% na área plantada (são 944 mil hectares de área cultivados atualmente) e, consequentemente, queda na produção de 1,5% (110 mil toneladas a menos do que expectativa inicial, que era de 7,5 milhões de toneladas).

A safra das culturas de verão 2019/2020 – diferentemente da crescente produção nas últimas três safras (2017, 2018, 2019), que encerraram com saldo positivo – deve finalizar com uma produção de 28,7 milhões de toneladas, ainda assim será a quinta maior safra de verão da história do RS e gerará um impacto no valor bruto superior a R$ 32 bilhões na economia gaúcha.

(Marcello Campos)

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