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Apesar de alta dos alimentos, prévia da inflação desacelera de acordo com o IPCA-15

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 16 de setembro a 14 de outubro. (Foto: Reprodução)

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação, veio abaixo das expectativas e registrou alta de 0,32% em outubro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O IPCA-15 de outubro ficou abaixo do piso das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast. As projeções iam desde uma alta de 0,37%, com teto de avanço de 0,50%, e mediana positiva de 0,44%. O resultado representou uma desaceleração ante setembro, quando subiu 0,70%.

Ao todo, oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE tiveram alta em outubro. A queda de itens como passagens aéreas (-9,24%) e energia elétrica residencial (-0,89%) ajudou a conter a alta no mês.

Por outro lado, o grupo alimentação e bebidas representou a maior pressão para a alta. Os alimentos subiram 0,88% no mês e tiveram impacto de 0,19 ponto porcentual no indicador cheio. A alimentação no domicílio acelerou 1,01% em relação ao mês anterior puxada pelo comportamento de preços do tomate (24,54%), da cebola (13,63%), da batata-inglesa (10,96%) e do arroz (5,80%). Por outro lado, destacaram-se os recuos da cenoura (-10,67%), das frutas (-1,37%) e do café moído (-1,16%).

Com o resultado anunciado, o IPCA-15 acumulou um aumento de 4,15% no ano. A taxa em 12 meses ficou em 4,62%, superando o teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo Banco Central. Ainda assim, o resultado em 12 meses veio abaixo da mediana das projeções, de alta de 4,74%, com estimativas que iam de 4,47% a 4,81%.

Para a economista-chefe da B.Side Investimentos, Helena Veronese, o resultado reforça a necessidade de cautela na condução da política monetária, mas ainda permite a continuidade dos cortes da Selic, atualmente em 13,75% ao ano.

A economista mantém a expectativa de reduções de 0,25 ponto porcentual nas duas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), sem mudanças, por ora, no cenário para 2027.

“A única coisa que ainda preocupa é a inflação de serviços, especialmente os serviços subjacentes, que continuam subindo. Isso é um retrato de uma economia que, embora esteja em processo de desaceleração, ainda tem um mercado de trabalho bastante aquecido”, afirma.

Na avaliação de Claudia Moreno, economista do C6 Bank, a principal surpresa positiva veio da queda das passagens aéreas, enquanto a inflação de serviços segue como um ponto de atenção.

O banco mantém projeção de alta de 5% para o IPCA de 2026 e prevê a manutenção da Selic em 13,75% até o fim do ano, embora não descarte a possibilidade de mais um corte de juros. Para Moreno, a inflação elevada e as expectativas acima da meta exigem cautela do Banco Central.

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 16 de setembro a 14 de outubro de 2026 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 15 de agosto a 15 de setembro de 2026 (base). (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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