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ApexBrasil mobiliza apoio para viabilizar a entrada de negócios gaúchos em novos mercados

Em entrevista à coluna, presidente da agência e ministro do MDIC detalharam financiamento de certificações internacionais para indústrias de menor porte, além de avaliar a resiliência do setor produtivo do RS. (Foto: ApexBrasil)

O avanço do Acordo Mercosul-União Europeia em maio deste ano abriu um leque de mais de 800 oportunidades comerciais mapeadas para a indústria do Rio Grande do Sul no continente europeu. Apesar das facilidades de trâmites proporcionadas pelo tratado, barreiras técnicas do bloco seguem representando um desafio financeiro para empreendedores menores levarem seus negócios até a região.

Em entrevista à coluna durante a edição porto-alegrense do evento Conexões Produtivas, realizada nesta semana, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, detalharam os mecanismos de apoio às pequenas e médias empresas gaúchas, avaliaram o impacto das sobretaxas norte-americanas e garantiram apoio federal aos negócios que podem ser beneficiados pelo acordo.

Entre os principais obstáculos para as pequenas e médias indústrias acessarem os 720 milhões de consumidores do bloco europeu está o rigoroso padrão ambiental e sanitário exigido. De modo a contornar a falta de caixa dessas empresas para bancar auditorias e certificações internacionais, a ApexBrasil estruturou um mecanismo de apoio financeiro direto. “A régua (da Europa) é alta, mas eles pagam bem. (…) Para quem precisa mudar a sua certificação para entrar no mercado europeu, que é uma certificação específica, a gente também tem subsídio” explica Laudemir Müller, o qual destaca que a ajuda individualizada pode chegar a até R$ 40 mil por empresa. “Às vezes, ela (a pequena indústria) tem a certificação para os Estados Unidos, que não vale na Europa. Então, nós estamos apoiando”.

A diversificação de mercados ocorre em um momento em que a indústria local tenta amortecer o golpe das sobretaxas impostas pelos Estados Unidos. Atualmente, a ApexBrasil atende de forma subsidiada pelo menos 500 empresas gaúchas afetadas pelas restrições tarifárias de Washington, bancando 100% da participação dessas marcas em feiras e rodadas internacionais de negócios.

Diante do cenário, o ministro Márcio Elias Rosa destacou a força do setor produtivo gaúcho, que já atua com produtos de alto valor agregado – como componentes de calçados, couros, móveis e máquinas -, e elogiou a capacidade de adaptação do Estado. “Nós temos aqui a segunda maior indústria e uma capacidade exportadora notável, além de um parque industrial muito competitivo, resiliente e competitivo. O modo como resiste às injustas tarifas impostas pelos Estados Unidos mostra isso. Mostra que ele é resiliente”, avaliou o ministro.

Em meio à busca de novos mercados, Müller acrescenta que a proximidade cultural do Estado com a Europa joga a favor dessa ampliação de parceiros. Para o presidente da ApexBrasil, quando os compradores do continente percebem a tradição industrial do Estado vinculada à imigração europeia, o fator contribui para melhorar o ambiente de investimento. “Eu vi diretamente dos europeus que eles estão olhando para o Brasil e para o Rio Grande do Sul não só como uma integração de produção, de exportar, de importar, mas de também investir”, pontua.

Resiliência climática e logística

O esforço para ampliar a fatia de mercado no exterior, no entanto, esbarra também no desafio de garantir a capacidade de entrega e o escoamento logístico diante da instabilidade climática que afeta o Rio Grande do Sul. Questionado pela coluna sobre o impacto do clima na manutenção desses contratos internacionais e sobre a preparação da pasta para os efeitos do fenômeno El Niño, o ministro relembrou o aprendizado forçado imposto pelas enchentes de 2024.

“Acho que essa é a grande lição que a gente tem que tomar. (…)  É preciso garantir o emprego, é preciso socorrer a empresa que a produção fica paralisada, é preciso conceder meios para que o município possa garantir mobilidade, ruas, reconstruir ruas, é preciso dar para as famílias também, meios para reconstruir a sua própria vida”, afirma Elias Rosa.

O ministro destaca as ações desempenhadas para socorrer os negócios do Estado durante a catástrofe, que, segundo ele, contribuíram para que a economia gaúcha saísse “mais forte” da crise. “A gente atendeu as empresas através do BNDES com crédito subsidiado de até 150 mil reais. Depois era preciso liberar recursos e o BNDES liberou 16,5 bilhões, com mais 4 de garantia, são 20 bilhões do BNDES para capital de giro, reconstrução das empresas e recomposição”.

Para que o Estado não perca a credibilidade e a pontualidade exigidas pelos novos parceiros comerciais, o foco do governo, segundo Elias Rosa, é a preparação para eventuais intempéries. “Agora, é preciso fazer investimento em prevenção. O Governo Federal criou uma linha de atendimento aqui no Rio Grande do Sul para 186 municípios, para fazer obras de prevenção a essas catástrofes. É aquilo que o presidente Lula dizia, a gente não tem como evitar, mas a gente tem que estar preparado para enfrentar, e isso tem sido feito”, concluiu. (Por Bruno Laux – obrunolaux)

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