Apoiadores do senador Flávio Bolsonaro passaram a direcionar uma série de mensagens aos perfis do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas redes sociais, após as eleições realizadas no domingo (25). Nas publicações, os usuários pedem que o norte-americano intervenha na política brasileira e, em manifestações mais extremas, chegue a sequestrar o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva, repetindo uma ação semelhante à realizada contra Nicolás Maduro, na Venezuela, país que passou a controlar.
Um levantamento produzido pela Ativaweb DataLab, na quinta-feira (29), após a fuga do senador brasileiro para os Estados Unidos, identificou diversas mensagens com pedidos de intervenção estrangeira. Entre os comentários encontrados estavam frases como “Coloniza o Brasil, nunca te pedi nada” e “Já prendeu o Maduro, chegou a vez do Lula”. As manifestações demonstram a tentativa de parte dos apoiadores de Flávio Bolsonaro de buscar apoio internacional para contestar o resultado eleitoral brasileiro.
De acordo com o relatório, o movimento foi impulsionado por uma combinação de fatores, incluindo a frustração com o resultado das urnas, a resistência em reconhecer a derrota e a saída do candidato para os Estados Unidos. O estudo também aponta que a prorrogação da votação até as 19h, determinada pelo ministro Cristiano Zanin em razão da falta de ônibus em Salvador e em outras cidades, tornou-se um dos principais argumentos utilizados para sustentar acusações de fraude nos comentários.
A pesquisa monitorou aproximadamente 1,2 milhão de interações nas páginas de Donald Trump no Facebook e no Instagram. Desse total, 34,1% dos comentários continham apelos para que o presidente norte-americano “salve” ou “ajude” o Brasil. Já as mensagens que solicitavam diretamente a captura de Lula corresponderam a 7,9% das manifestações analisadas.
Outro dado identificado pelos pesquisadores foi a circulação de 12 versões, em português e inglês, de uma provocação direcionada a Trump: “Lula disse que você não tem coragem de vir buscar ele”.
As narrativas relacionadas a supostas fraudes eleitorais e à existência de uma ditadura no Brasil representaram 9,2% das interações. Entre as menções à política nacional, o nome de Lula apareceu mais que o dobro de vezes em comparação com o de Flávio Bolsonaro. Alexandre de Moraes também foi citado, assim como expressões em português e inglês, entre elas “ditadura”, “stolen” (roubado) e “coup” (golpe), utilizadas para sustentar alegações de irregularidades no processo eleitoral.
O levantamento ainda revelou que 33,6% das mensagens estavam escritas integral ou parcialmente em inglês, indicando a tentativa de alcançar diretamente o público estrangeiro e chamar a atenção do governo dos Estados Unidos. Além disso, aproximadamente uma em cada cinco publicações analisadas continha a sigla SOS, utilizada como um pedido de socorro ou intervenção internacional. (Com informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo)
