Para esclarecer a população sobre o uso da vacina Oxford-AstraZeneca contra a covid-19, o Ministério da Saúde divulgou informações sobre a recomendação vigente. Conforme a pasta, desde dezembro do ano passado, a vacina é indicada para pessoas a partir de 40 anos, de acordo com as evidências científicas mais recentes. Ou seja, ela permanece sendo aplicada no País.
A recomendação é reforçada após a circulação de notícias falsas em redes sociais dizendo que uma nota técnica do Ministério da Saúde, divulgada em dezembro de 2022, informava que o imunizante teria causado trombose em pessoas na faixa etária acima de 40 anos, principalmente entre as mulheres, e por isso, não seria mais autorizada sua aplicação.
“O Ministério da Saúde reforça que todas as vacinas ofertadas à população são seguras, eficazes e aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As estratégias de vacinação no Brasil, assim como os imunizantes indicados para cada público, levam em consideração o avanço tecnológico do setor e novas evidências científicas sobre o tema, sempre discutidos no âmbito da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações (CTAI)”, disse em comunicado.
Conforme a pasta, a vacina Oxford-AstraZeneca, desenvolvida no início da pandemia e produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foi “extremamente importante” para o controle dos casos e redução de óbitos por covid-19 no País e no mundo.
No mesmo dia, a Anvisa também esclareceu que nenhuma das vacinas contra a covid-19 aprovadas pela agência reguladora foi proibida ou desautorizada. “Sobre a vacina da Oxford-AstraZeneca, é importante esclarecer que a vacina está registrada no Brasil. Com isso, está autorizada para uso no País dentro das condições e indicações aprovadas pela Anvisa”, disse.
“Com o surgimento de novas variantes, com a evolução tecnológica e com o avanço do conhecimento sobre a doença, é perfeitamente normal que algumas das vacinas da primeira geração aplicadas anteriormente sejam substituídas por outros imunizantes, como acontece com outras vacinas atualizadas regularmente”, acrescentou em nota.
Segundo a Anvisa, o papel da agência é analisar os pedidos apresentados pelas empresas farmacêuticas a fim de verificar se os dados e informações técnicas garantem a eficácia, segurança e qualidade das vacinas e de qualquer outro medicamento autorizado no País.
“Como parte do monitoramento pós-uso da vacina no Brasil, a Anvisa solicitou, em abril de 2021, a alteração da bula da vacina Oxford-AstraZeneca para incluir no item ‘advertência e precauções’ possíveis ocorrências tromboembólicas com trombocitopenia. Todos os eventos adversos conhecidos estão descritos em bula”, afirmou a Anvisa.
Renato Kfouri, infectologista representante do Brasil na Organização Mundial da Saúde (OMS) e presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), lembra que a recomendação se baseou em decisão da Câmara Técnica do Programa Nacional de Imunizações, frente às evidências de que já precisaria reforçar os grupos prioritários com a vacina de RNA mensageiro e de que existia um risco, há muito tempo conhecido, de efeitos trombóticos das vacinas de vetor viral especialmente em jovens. Ou seja, quem está no esquema primário acima de 40 anos pode receber a vacina da Oxford-AstraZeneca.
“Quando você tem muitos casos de doenças, mesmo que haja algum risco raro de alguma vacina ter efeito colateral, você continua utilizando a vacina, como é o caso da vacina da febre amarela. Porque você sabe que o benefício da vacinação, com número de casos prevenidos da doença, mortes e sequelas, é muito maior do que os raríssimos efeitos colaterais. Quando a doença vai desaparecendo e sendo controlada, é normal que seja feita uma reavaliação de riscos e benefícios com relação ao uso da vacina”, afirma Kfouri. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
