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Após ataque com drones ao Kremlin, Rússia bombardeia a Ucrânia e acusa os Estados Unidos, que reagem: “alegação ridícula”

Países que fazem fronteira com a Rússia tentam se proteger contra tentativas expansionistas de Moscou. (Foto: Reprodução)

Forças da Rússia lançaram ataques com drones e mísseis contra cidades da Ucrânia durante a madrugada desta quinta-feira (4), um dia depois de explosões sobre o Kremlin – sede do governo russo e residência oficial do presidente Vladimir Putin – que aumentaram temores de uma escalada na guerra. Assim como voltou a culpar Kiev, que nega qualquer envolvimento no incidente, Moscou reforçou nesta quinta a acusação de que os EUA têm “envolvimento direto” no suposto ataque com drones que o Kremlin sofreu na véspera, afirmando que o governo americano forneceu informações à Ucrânia para possibilitar a ação. Washington reagiu classificando a acusação de “alegação ridícula”.

“Sabemos bem que as decisões sobre tais ações e atos terroristas não são tomadas em Kiev, mas em Washington. Portanto, Kiev faz o que lhe mandam”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, sem apresentar provas durante seu pronunciamento diário. “É muito importante que Washington entenda que sabemos disso e compreenda o quão perigoso tal envolvimento direto no conflito é.”

O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, John Kirby, que mais cedo afirmara à rede MSNBC que tais acusações eram falsas e que os EUA não encorajam a Ucrânia a atacar além de suas fronteiras, reiterou posteriormente à CNN que os EUA “não têm nenhum papel” no incidente.

“O senhor Peskov está mentindo. Obviamente, é uma alegação ridícula”, disse à emissora. “Os EUA não têm nenhuma relação com isso. Nem sabemos o que aconteceu ali. Mas posso garantir que os EUA não têm nenhum papel nisso. Independentemente do que tenha sido, não nos envolveu.”

Em Bruxelas, o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, pediu que a Rússia evite usar o incidente como pretexto para intensificar ou ampliar sua ofensiva na Ucrânia.

“Isso nos preocupa (…) porque pode ser utilizado para justificar mais mobilizações de soldados e mais ataques contra a Ucrânia”, afirmou.

O incidente no Kremlin, que a Rússia classificou de “ataque terrorista” com o objetivo de matar Putin e que lhe dá o direito de retaliação, ocorreu em meio a outras explosões recentes e descarrilamentos de trens na Rússia e em território ucraniano ocupado. Moscou descreve tais ações como “atividades terroristas e de sabotagem sem precedentes” de Kiev.

A Ucrânia, que via de regra adota um tom de ambiguidade sobre ataques no território russo, negou deliberadamente qualquer participação no incidente no Kremlin, afirmando que a Rússia realizou uma autossabotagem para manter o apoio popular ao conflito. Os russos, segundo Mykhailo Podolyak, conselheiro do Gabinete da Presidência da Ucrânia, preparam o terreno para um “ataque terrorista de ampla escala”.

Em imagens sem data, a televisão pública russa mostrou nesta quinta-feira Putin em uma reunião de trabalho no Kremlin com o ministro do Desenvolvimento Econômico, Maxim Reshetnikov, a primeira aparição do governante desde o suposto ataque – no momento do incidente, o líder russo estava em outra residência. Previamente, Peskov havia anunciado que Putin trabalharia no Kremlin nesta quinta.

Por sua vez, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, foi a Haia visitar o Tribunal Penal Internacional (TPI), demandando a criação de um foro especial para investigar as autoridades russas por possíveis crimes cometidos durante a invasão que começou em fevereiro do ano passado. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.

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