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Após confiscar casas de opositores, ditador da Nicarágua fecha partido político e estatiza duas emissoras de rádio

A ditadura de Daniel Ortega intensificou a onda repressiva na Nicarágua. (Foto: Reprodução)

A ditadura de Daniel Ortega intensificou a onda repressiva na Nicarágua. Nesta semana, a Justiça eleitoral colocou na ilegalidade o partido indígena Yatama, botou seus líderes atrás das grades e estatizou duas rádios comunitárias. No início da semana, agentes da procuradoria invadiram e confiscaram residências de opositores que fugiram do país.

O Yatama é formado por líderes miskitos, indígenas da costa leste da Nicarágua. Seu fundador, o deputado Brooklyn Rivera, foi preso na semana passada. Nancy Elizabeth Henríquez, presidente do partido, também foi detida. Em comunicado, o Yatama disse que a polícia ocupou e confiscou duas rádios nas cidades de Bilwi e Waspam.

Rivera, de 71 anos, foi guerrilheiro sandinista e companheiro de Ortega na luta pela democratização da Nicarágua. Em abril, ele virou alvo da ditadura após denunciar na ONU, em Nova York, invasões de terras indígenas. Amigos dizem que ele está desaparecido.

Desde a semana passada, a ditadura também iniciou um movimento para confiscar as casas de opositores e ativistas dos direitos humanos, incluindo as propriedades de dois ex-chanceleres. A prática era muito comum durante a Revolução Sandinista, nos anos 1980 – Ortega vive em uma casa que ele mesmo confiscou na ocasião.

Em 2018, a ditadura reprimiu uma onda de protestos que deixou 300 mortos e milhares na prisão. No início do ano, 222 presos políticos foram libertados e partiram para o exílio. Muitos perderam a nacionalidade nicaraguense. Agora, perdem também o direito de propriedade.

A medida é uma nova fase da repressão, que começou em agosto com o confisco de uma universidade jesuíta e a prisão de sacerdotes. Na segunda-feira, os sandinistas confiscaram uma escola de administração de empresas fundada pela Universidade Harvard.

“Não foi suficiente para ele (Ortega) me aprisionar e me mandar para o exílio”, afirmou o cineasta Camilo de Castro, que teve a casa confiscada juntamente com dois opositores: Gonzalo Carrión e Haydee Castillo – todos vivem no exílio.

Moisés Hassan, de 81 anos, um dos primeiros sandinistas a romper com Ortega, fugiu para a Costa Rica em 2020 e está entre os opositores que perderam a nacionalidade. Segundo ele, agentes do governo confiscaram sua casa de sete quartos em Manágua, avaliada em US$ 280 mil. “Era o único bem material que eu tinha, além da minha aposentadoria, que também me tiraram”, disse.

Carrión, defensor dos direitos humanos, fugiu para a Costa Rica em 2018, quando Ortega dissolveu a ONG que ele mantinha. Ele tinha uma casa de US$ 70 mil no centro de Manágua. “Eles nos condenaram sem julgamento e tomaram nossas casas”, disse.

O advogado americano Jason Poblete, especializado em processos internacionais de reivindicação de propriedade, afirmou que, um ano e meio atrás, começou a receber telefonemas de donos de imóveis na Nicarágua afirmando que tinham sido assediados com cobranças falsas de impostos, outra tática que a ditadura usa para dar “aparência de legalidade” para os confiscos.

A questão deve se tornar um impasse duradouro, como em Cuba, onde 6 mil cidadãos e empresas dos EUA perderam casas, fazendas, fábricas e outras propriedades avaliadas em US$ 1,9 bilhão. “Os cubanos aprenderam como fazer isso e ensinaram aos nicaraguenses”, disse Poblete. “É uma forma mais sofisticada de intimidação política.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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