Distância e cautela. Essas têm sido as principais reações dos líderes evangélicas ligados ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), alvo de denúncia pela PGR (Procuradoria-Geral da República) na quinta-feira.
No dia seguinte, repórteres só encontraram três funcionários do templo da Assembleia de Deus frequentado por Cunha em Madureira, na zona norte do Rio de Janeiro. No local, a informação era de que o presidente da congregação, Abner Ferreira, estava viajando. Ele é irmão de Samuel Ferreira, principal líder da sede paulista da igreja, acusada de receber dinheiro no mesmo esquema integrado por Cunha.
Já o pastor e também advogado da Assembleia de Deus no Rio, Orivaldo Prattis, adotou postura mais realista. “Ele ainda não foi condenado, no entanto há indícios fortes”, admitiu. “Lógico que isso não deixa de ser algo preocupante, mas enquanto não houver uma sentença condenatória, devemos observar o pressuposto jurídico da inocência.”
Entusiasta da eleição de Cunha para a Presidência da Câmara em fevereiro, o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia, mudou o seu discurso. Na sexta-feira, utilizou a rede social Twitter para dizer que jamais apoiou o parlamentar. Ele alega que suas falas anteriores eram apenas “sacanagem contra os petistas.”
O professor Paul Preston, especialista em política e religião ligado à Universidade de São Carlos (SP), explica que a reação dos fiéis em escândalos desse tipo costuma ser fragmentada e que a maioria do “rebanho” segue apoiando seus líderes.
“Os milhares de fiéis não vão se revoltar ou se erguer contra o modelo de inserção política adotado pelas igrejas evangélicas”, avalia. “Alguns até reagem dessa forma, mas eu diria que a maior parte consegue, de alguma forma, seguir acreditando na credibilidade e qualidade do comando religioso.” (AE)
