O partido Democracia Cristã (DC) anunciou que a advogada mato-grossense Clariana Barão será sua candidata à Presidência da República nas eleições deste ano. A definição ocorreu após a desistência do ex-ministro Joaquim Barbosa de disputar o Palácio do Planalto. Antes disso, a legenda já havia enfrentado mudanças em seus planos para a sucessão presidencial. No início do ano, chegou a lançar o nome do ex-ministro Aldo Rebelo como pré-candidato, mas ele acabou sendo substituído ao longo das articulações internas.
Presidente do diretório do DC em Mato Grosso, Clariana será a segunda mulher na corrida pelo Palácio do Planalto. A outra candidata é Samara Martins, do Unidade Popular (UP), partido de esquerda radical. A convenção nacional do Democracia Cristã, que deve oficializar a candidatura, está marcada para o dia 2 de agosto.
“Clariana representa a oportunidade de o Brasil ter, nesta eleição, uma voz feminina na disputa pela Presidência”, afirmou João Caldas, presidente do partido. A legenda, no entanto, possui pouca estrutura nacional e não terá direito a tempo de propaganda eleitoral na televisão.
A candidata afirma que pretende representar a voz das mulheres durante a campanha presidencial. “É impossível imaginar uma eleição no Brasil em que 52% do eleitorado são mulheres e não ter uma candidata”, declarou, ao defender uma maior presença feminina na disputa pelo comando do país.
A escolha de Clariana ocorre após uma série de mudanças envolvendo o nome do partido para a Presidência. O primeiro indicado pelo DC foi o ex-ministro Aldo Rebelo. Em maio, porém, a legenda decidiu substituí-lo por Joaquim Barbosa. O anúncio foi feito logo depois de Rebelo publicar, em suas redes sociais, uma nota de repúdio à indicação do ex-presidente da Suprema Corte. Segundo ele, a decisão representava uma “afronta a tudo o que defendo como relações políticas” e teria sido apenas um “balão de ensaio” — expressão utilizada para definir uma informação divulgada propositalmente com o objetivo de medir a repercussão antes de uma decisão definitiva.
Em junho, a Justiça do Distrito Federal suspendeu a expulsão sumária de Aldo Rebelo do Democracia Cristã. Naquele momento, Joaquim Barbosa era apontado como o nome do partido para a corrida presidencial, mas sua pré-candidatura dependia também do cenário político envolvendo outras siglas. A expectativa era de que Barbosa assumisse a candidatura após a saída de Aécio Neves, do PSDB, da sucessão presidencial. Os dois chegaram, inclusive, a discutir a possibilidade de formar uma aliança para a disputa ao Palácio do Planalto.
A desistência de Joaquim Barbosa também não foi inédita em sua trajetória política. Relator do processo do Mensalão na Suprema Corte, o ex-ministro já havia aberto mão de disputar a Presidência da República em 2018, quando era filiado ao PSB. Agora, com sua nova retirada da corrida eleitoral, o Democracia Cristã aposta em Clariana Barão para representar a legenda na eleição presidencial. (Com informações da CNN Brasil)
