Dois anos depois da Copa do Mundo no Brasil, a Justiça gaúcha concluiu o recebimento do pagamento de multas cobradas de três argentinos, acusados de usar credenciais falsas para ver o time de Messi contra a Nigéria, no Beira-Rio.
O valor arrecadado, R$ 1.076,06, foi repassado para fundo administrado pela Vara de Execução de Penas e Medidas Alternativas da Capital e deverá ser usado em programas sociais. Penas como as de multa são incluídas nas propostas de suspensão condicional de processos, iguais às apresentadas aos argentinos.
Entre a denúncia por falsa identidade e os registros dos depósitos, passaram-se 22 meses de procura por endereços errados, intimações desatendidas e despachos internacionais. Agora, o processo está com o Ministério Público, propositor da ação, que deve decidir se dá o caso como encerrado.
Para o juiz titular do Juizado do Torcedor e Grandes Eventos, Marco Aurélio Martins Xavier, foi uma vitória da persistência “e da disposição em tentar a solução dos conflitos pelo contato direto com os torcedores”. Moradores de Rosário (a 300 km de Buenos Aires), os acusados souberam do processo e da proposta de quitação via Aviso de Recebimento dos Correios, enviados por iniciativa do magistrado, em dezembro de 2015.
Com o pagamento, explica o juiz, os estrangeiros prestam contas à Justiça brasileira e evitam dissabores futuros, caso queiram cruzar a fronteira dos países novamente. Medidas semelhantes, ainda sem resposta, foram tomadas com relação a um francês e um indiano, também envolvidos em delitos na passagem por Porto Alegre durante a Copa.
O caso
Na tentativa de se juntar aos outros 43 mil espectadores no estádio colorado, no dia 25 de junho de 2014, os torcedores argentinos apresentaram credenciais semelhantes às do pessoal da limpeza. Pagaram US$ 200,00 cada uma. Os documentos falsos, sem fotografias, foram identificados por um dos vigilantes da organização do torneio.
Quando depuseram, os acusados afirmaram ter agido de boa-fé. A versão do trio é de que teriam adquirido as credenciais de alguém que circulava livremente pelas dependências do estádio.
Depois da denúncia pelo Ministério Público, ainda em 2014 uma solução foi tentada, com marcação de audiência de instrução e julgamento. A convocação chegou a ser enviada para um endereço no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, sem sucesso. O local, então, abrigava uma empresa de vigilância, que nunca teve qualquer dos acusados no cadastro de empregados.
