Em vídeo postado neste sábado (21) nas redes sociais, o governador Eduardo Leite repercutiu o feminicídio cometido em Nova Prata (Serra Gaúcha) contra Roseli Vanda Pires Albuquerque, 47 anos, diretora-administrativa da Secretaria do Esporte e Lazer (SEL) do Rio Grande do Sul. O chefe do Executivo pediu que a população colabore no combate a esse tipo de crime e mencionou as políticas estaduais de proteção e atendimento especializado às mulheres.
Ao classificar o crime como “patologia social” cujo combate exige engajamento de todos os Poderes e da sociedade, Leite defendeu o enfrentamento a esse tipo de violência como prioridade coletiva para reverter a alta de casos. Também destacou a trajetória da vítima na defesa dos direitos das mulheres.
Roseli era servidora dedicada do Estado e tinha uma trajetória consolidada na vida pública. Além de atuar na diretoria-administrativa da SEL, foi vereadora por dois mandatos em Nova Prata, onde era reconhecida pelo trabalho voltado à inclusão de pessoas com deficiência e à defesa dos direitos femininos.
Nas eleições de 2022, ela se candidatou a deputada estadual e obteve a suplência. Já no pleito de 2024, foi candidata a vice-prefeita na chapa de Volnei Minozzo (União). Agora, torna-se a 16ª vítima de feminicídio no Rio Grande do Sul desde o começo do ano.
O velório é realizado desde a noite na Câmara de Vereadores de Nova Prata. Já o sepultamento está marcado para a tarde deste domingo (22), no cemitério do município.
O que se sabe do crime
Conforme a Polícia Civil, Roseli foi estrangulada, por volta das 3h em seu apartamento pelo ex-marido, que em seguida teria se suicidado. Não foram divulgadas informações sobre o modo como ele tiro a própria vida.
A Brigada Militar (BM) foi acionada após a mãe da vítima receber dela uma mensagem por celular, demonstrando aflição. Policiais da corporação de dirigiram ao local, mas o crime já havia se consumado – uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constatou o óbito no local.
Não havia registros recentes de medidas protetivas de urgência envolvendo o casal, que morava no local com um dos dois filhos (de 26 anos e autista) até a separação conjugal, formalizada há seis meses, após 28 anos de relacionamento. O autor do feminicídio não residia mais no imóvel, porém ainda tinha cópia das chaves – ele chegou de carro ao local cerca de uma hora antes do crime.
Ciclo de violência
“O caso ilustra a complexidade dos ciclos de violência doméstica, que muitas vezes permanecem silenciosos por décadas”, comentou o governador. “Vítima e agressor foram casados por 28 anos, mas, durante esse período, houve apenas um registro formal de ocorrência, em 2017.”
Este é o sexto feminicídio registrado no Rio Grande do Sul apenas neste mês, superando o índice do mesmo mês no ano anterior. Leite acrescentou:
“São números de um cenário assustador que precisam alertar a todos. Depois de anos em que conseguimos reduzir esse tipo de crime no Rio Grande do Sul, os casos voltaram a crescer em 2025 e seguem em alta neste início de 2026. Isso é inaceitável. Isso é revoltante. Não podemos normalizar. O feminicídio é fruto do machismo e da ideia absurda de posse sobre a vida da mulher”.
Apesar de enaltecer avanços, o governador admitiu que os esforços atuais ainda são insuficientes e assegurou a continuidade da ampliação das políticas públicas: “Não vamos desistir e seguiremos ampliando as medidas para que as mulheres tenham o direito de viver. De viver para serem o que quiserem ser, como quiserem e em paz”.
Ao final, fez um apelo à população: “Não se omitam. Ao menor sinal de violência, denunciem. Procurem qualquer delegacia, especialmente as Delegacias de Pronto Atendimento, que funcionam 24 horas. Usem o 181 para denúncia anônima. Em caso de emergência, liguem 190 imediatamente. Não esperem a situação chegar ao limite. Em memória da Roseli e de tantas outras mulheres, não vamos recuar”.
(Marcello Campos)
