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Após manutenção da taxa de juros, Fiergs propõe que o governo federal apresente medidas para restabelecer a confiança da indústria nacional

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic, a taxa básica de juros, em 13,75% ao ano. (Foto: Reprodução)

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Claudio Bier, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a Selic, a taxa básica de juros, em 13,75% ao ano reflete a preocupação do Banco Central (BC) com a deterioração das expectativas de inflação e o aumento das incertezas econômicas, especialmente após a recente volatilidade cambial. Mas, segundo Bier, a medida é prejudicial ao setor produtivo. “A decisão traz insegurança, uma vez que os juros permanecem em patamar muito elevado, encarecendo o crédito, agravando o endividamento das empresas e das famílias e restringindo os investimentos e a atividade industrial”, afirma Claudio Bier.

No entanto, segundo Claudio Bier, os juros elevados são apenas a febre de um problema maior, relacionado ao desequilíbrio das contas públicas e à ausência de perspectivas concretas para sua correção. “A falta de sinalizações do governo federal sobre medidas de ajuste fiscal, somada à perspectiva de continuidade da atual política econômica, contribui para a persistência das incertezas e dificulta a redução dos juros. É fundamental que o governo apresente medidas consistentes para restabelecer a confiança dos agentes econômicos e criar condições para a retomada sustentável do ciclo de cortes da Selic”, conclui Bier.

Pé no freio

As tensões em torno do câmbio e do fenômeno climático El Niño fizeram o Banco Central (BC) botar o pé no freio. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Taxa Selic, juros básicos da economia, em 13,75% ao ano.

Em comunicado, o Copom informou que as incertezas se ampliaram nas últimas semanas e que as expectativas de inflação continuam acima da meta. O órgão não deu pistas sobre a trajetória dos juros nas próximas reuniões.

“O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução”, destacou o BC.

A decisão surpreendeu o mercado financeiro, que esperava um corte de 0,25 ponto percentual. No entanto, uma parte das instituições apostavam na manutenção da taxa.

De junho de 2025 a março de 2026, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. Desde abril, o Copom cortou os juros cinco vezes, num cenário de queda da inflação. No entanto, o agravamento da guerra no Oriente Médio, o início do fenômeno El Niño e a recente instabilidade cambial dificultam o trabalho do órgão.

O Copom está desfalcado porque o mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, expirou no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não encaminhou as indicações dos substitutos ao Congresso Nacional.

Inflação

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em outubro, o IPCA-15, prévia do índice oficial ficou em 0,32%, beneficiado pela queda nas contas de luz.

No acumulado de 12 meses, o índice subiu de 4,5% para 4,62%, acima do teto da meta de inflação. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o IPCA cheio de setembro no próximo dia 12. As informações são da Fiergs e da Agência Brasil.

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