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Após negar que pagaria a viagem de um deputado para torneio de kart em Portugal, a Câmara voltou atrás e admitiu ter autorizado a missão oficial

A assessoria de Andre Amaral (PMDB-PB) disse que ele desistiu do ideia. (Foto: Luis Macedo/Agência Câmara)

Nessa terça-feira, quatro dias depois de negar à imprensa que pagaria uma viagem ao deputado André Amaral (PMDB-PB) para assistir a um torneio de kart em Portugal, a Câmara recuou e autorizou a missão oficial. A Casa afirmou que a recusa havia sido motivada pela “agenda de votações cheia, com foco em propostas na área de segurança pública” e defendeu o evento esportivo que será realizado em Pernambuco no ano que vem. A assessoria de Amaral, entretanto, disse que ele não viajará.

“A Presidência entende a importância da missão solicitada pelo deputado e reconhece Amaral como principal articulador para que o campeonato Rotax Max Challenge seja realizado no município de Conde (PB), evento que poderá trazer R$ 20 milhões em investimentos para o Estado da Paraíba e que contará com a participação de 400 pilotos de 65 países. Diante do exposto, a missão a Portugal foi autorizada e sua realização ficará a critério do parlamentar”, declarou a Presidência da Casa em nota.

Na última sexta-feira, quando rebateu a informação de que custearia a viagem do parlamentar, a presidência da Casa era exercida pelo deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), já que o titular Rodrigo Maia (DEM-RJ) estava em viagem ao exterior. Desta vez, a nota veio sob a presidência de Maia – o gabinete da presidência da Câmara é responsável por autorizar missões oficiais ao exterior.

Antecedente

Em junho, um caso similar foi alvo de polêmica no Congresso Nacional. A Comissão de Esporte da Câmara dos Deputados havia aprovado no mês anterior um requerimento do deputado Antônio Goulart (PSD-SP) para que fosse enviada uma missão oficial de membros do colegiado à Rússia, durante a Copa das Confederações (realizada na segunda quinzena daquele mês).

Diante da repercussão negativa, o Legislativo voltou atrás, informando que não bancaria a viagem oficial. Em sua justificativa, o deputado —que é conselheiro do Corinthians e antigo membro da torcida organizada Gaviões da Fiel, justificou o pedido:

“A visita ao país-sede da Copa das Confederações de 2017 é de fundamental importância para implantarmos e atuarmos na segurança e nos investimentos sociais de diversos megaeventos esportivos que virão a ser realizados no Brasil nos próximos anos”.

Procurado pela imprensa na ocasião, Goulart disse que decidiu retirar o seu requerimento para a viagem paga pelos cofres públicos. Em vez disso, ele embarcaria para a Rússia e China (por causa de intercâmbios desse país com o futebol brasileiro) em julho, durante o recesso do Congresso, com dinheiro do próprio bolso. E vai ser uma coisa maravilhosa porque eu vou ter liberdade até pra tomar umas vodcas”.

Outras viagens

Dias antes de aprovar a missão oficial à Rússia, a Comissão de Esporte da Câmara havia aprovado outra viagem internacional para deputados. Os destinos eram Atenas (Grécia), Londres (Inglaterra) e Barcelona (Espanha), para que eles conhecessem o legado nessas cidades com a realização de Olimpíadas.

O requerimento original, do deputado Fábio Mitidieri (PSD-SE), era só da viagem para Atenas. Goulart e outros incluíram Londres e Barcelona no roteiro. Nas missões oficiais ao exterior, a Câmara banca passagens aéreas e diárias para hospedagem e alimentação.

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