Mais de um mês após os atentados na capital francesa, que mataram 130 pessoas e deixaram centenas de feridos, os turistas continuam evitando visitar Paris, que parece funcionar em câmera lenta. Os ataques têm um impacto econômico sobre as atividades de hotéis, restaurantes, lojas, incluindo o setor do luxo, e dos transportes aéreos.
A direção-geral do Tesouro francês estima que a repercussão econômica dos atentados pode atingir 2 bilhões de euros. O movimento no comércio tem sido fraco em boa parte da cidade. As lojas chiques em Paris, muitas nas áreas onde ficam os hotéis de altíssimo luxo, os “palácios”, também estão quase desertas, resultado direto da queda da atividade turística.
As grifes de luxo preferem não comentar, no momento, o impacto sobre as vendas. Na joalheria Cartier, as vendas em Paris em novembro teriam representado apenas cerca de um terço dos dois meses anteriores e dezembro também deve terminar abaixo dos números de 2014.
O número de turistas chineses, que são os que mais gastam em compras na capital francesa, havia crescido 47% nos nove primeiros meses de 2015, segundo o Escritório de Turismo de Paris. Analistas estimam que os chineses deverão transferir suas viagens e compras para outros países. Desde os atentados, a Galeries Lafayette perdeu 20% dos clientes (50% na semana seguinte aos ataques) e, a Printemps, 15%. Os restaurantes também sofrem com a falta de turistas: a clientela caiu 30%.
Os parisienses contribuem para a má performance, já que muitos passaram a sair menos à noite. A empresa Aeroportos de Paris informou ter registrado 123 mil passageiros a menos em novembro na comparação com igual período do ano anterior. Antes dos atentados havia crescimento de 3,6% no tráfego aéreo.
A decisão da companhia Japan Airlines de suspender, de 12 de janeiro ao final de fevereiro de 2016, seus voos para Paris saindo do aeroporto de Tóquio-Narita por falta de passageiros é algo inédito. Por enquanto, a companhia japonesa manteve os voos que decolam de Haneda, mais perto de Tóquio, onde a taxa de ocupação dos aviões com destino à França caiu 40%, segundo a empresa.
A espanhola Forwardkeys, que tem acesso aos dados informáticos de 200 mil agências de viagens no mundo, prevê um primeiro trimestre “sombrio” para o tráfego aéreo com direção a Paris. As novas reservas para voos para este mês registram queda de 34%. Entre os turistas mais reticentes estão os americanos, chineses, japoneses, espanhóis e australianos.
Apesar das promoções, a hotelaria parisiense não consegue recuperar os níveis habituais e registra queda de 20% em dezembro. Logo após os atentados, o recuo chegou a 40%. Em alguns hotéis, como o Montaigne, na avenida onde há várias grifes de luxo, metade das reservas foi cancelada, diz a diretora Florence Bournoville.
Brasileiros.
Turistas brasileiros, que estão entre as cinco principais nacionalidades do Montaigne, também desistiram de se hospedar no local. Nos “palácios” parisienses, como o Plaza Athénée, o Bristol (onde a presidenta Dilma Rousseff se hospedou durante a Conferência do Clima da ONU) e o Georges V, a taxa de ocupação em meados de dezembro se situaria entre 30% e 40% contra 73% de 2014.
“É difícil convencer americanos ou japoneses a atravessar o mundo e vir a Paris enquanto o presidente francês diz que o país está em guerra”, afirma François Delahaye, diretor-geral do Plaza Athénée, que se diz “preocupado com o futuro”.
Para tentar tranquilizar os turistas e parisienses, cerca de 50 empresas lançaram a campanha “Parisweloveyou” (Paris nós te amamos) nas redes sociais, com o apoio da prefeitura.
