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Após prisão de assessor especial do presidente da Anvisa, funcionárias relatam perseguição e assédios sexuais silenciados por gestores da agência

Assessor especial da presidência da agência foi exonerado das funções após a prisão. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Após a prisão do assessor especial da presidência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Paulo César Nascimento da Silva dentro do complexo da agência em Brasília depois de uma condenação por estupro, funcionárias da Anvisa relataram outros casos de abusos cometidos por ele durante suas funções. Ele também responde a um processo por violência doméstica e cárcere privado após ameaças contra uma ex-namorada.

Uma das servidoras da Anvisa que aceitou conversar com a GloboNews pediu para não ser identificada, mas afirmou que as abordagens com cunho sexual por parte do assessor especial começaram em 2019, logo após tomar posse, nomeado pelo atual diretor-presidente Antônio Barra Torres. Paulo César da Silva tinha cargo comissionado e atuava nas relações governamentais, visto com frequência no Congresso Nacional. Ele foi exonerado das funções após a prisão.

Em nota, a defesa de Paulo César do Nascimento informou na noite desta quarta-feira à produção da GloboNews que está analisando a situação do ex-assessor especial preso na segunda-feira por estupro após condenação do Tribunal de Justiça do Distrito Federal para decidir os próximos passos.

Em nota, o movimento “Nós por elas Anvisa”, grupo de servidoras que buscam discutir e propor a equidade de gênero na agência, afirma que o assessor especial foi autor de diversos episódios de perseguição e assédios silenciados por gestores.

A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou, também em nota, que relatos de colaboradoras que foram divulgados na imprensa mostram que o órgão não foi capaz de “prevenir, identificar e coibir, eventuais casos de assédio sexual e moral, apesar da existência de estruturas organizacionais, destinadas a esse acolhimento”.

Segundo essa funcionária, o assessor especial de Barra Torres insistia em abordagens inadequadas com cunho sexual na sede da Anvisa em Brasília, mas também em viagens a trabalho.

“Tem relatos de uma espécie de comportamento, como stalker, de perseguir as mulheres nos corredores, de ficar indo insistentemente nas salas arrumar assunto com as mulheres, que não são assuntos profissionais. Tem histórico de várias mensagens de telefone, um tanto quanto pouco usuais e nada profissionais. E buscava tocar no ombro, na cintura das mulheres, né? Das servidoras. Servidoras deixaram cargos comissionados para evitar contatos com Paulo César. Servidoras foram removidas para ficar mais distantes de Paulo César”, afirmou.

O relato também dá conta que muitas vítimas das investidas não procuraram órgãos de controle da agência com medo de retaliação e perda do cargo e também porque o assessor tinha o hábito de andar armado durante o expediente.

“Há muito medo de formalizar, afinal ele trabalha diretamente com o diretor-presidente. As pessoas têm medo de retaliação profissional e o Paulo César costumava andar armado nas dependências da Anvisa, o que faz as pessoas terem ainda mais medo”, disse.

Questionado se o diretor-presidente tinha conhecimento do comportamento e das denúncias, a servidora revela que uma colaboradora que decidiu relatar os assédios de Paulo César testemunhados por ela foi retirada da função.

“A primeira servidora que levou ao conhecimento dele [Barra Torres] foi exonerada do cargo de comissão na sequência”, disse. A Anvisa nega qualquer exoneração nesse sentido.

Servidores da agência também compartilharam outros relatos de “investidas” por parte do assessor. Algumas colaboradoras afirmam que decidiram bloquear o número de Paulo César para não receberem mais mensagens dele no celular.

O blog teve acesso a uma dessas trocas de mensagens. Nela, o assessor escreve a uma ex-colaboradora da agência: “Estou na AssPar (sigla para assessoria parlamentar). Um drink mais tarde? Será um prazer! Fique tranquila. Eu sou um homem experiente, discreto e reservado. Você não vai se arrepender… Acredite…”.

A mulher agradece o convite e diz que namora. Na resposta, a mulher afirma ainda que ele não era discreto e que seria motivo de piada por parte dos colegas. Segundo a mensagem, muitas pessoas já tinham percebido a “atenção” dada por ele e por isso ela afirma que a situação ficava muito chata porque era nova no setor. Na sequência, Paulo César tenta ligar para o celular dela, e não é atendido. As informações são do portal de notícias G1.

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