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Após queda em 2016, os casos de poliomielite e sarampo voltaram a subir, aponta um relatório da Organização Mundial da Saúde

País teve mais de 10 mil casos da doença em 2018. Baixa cobertura vacinal é problema no combate a novos casos. (Foto: Cristine Rochol/PMPA)

Após uma queda em 2016, os casos registrados de sarampo e poliomielite aumentaram em 2017 em todo o mundo, segundo as estimativas de imunização mais recentes divulgadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

A baixa cobertura vacinal em alguns países contribuiu para a alta dos casos no último ano. Em 2017, foram registrados no mundo 173,3 mil casos de sarampo, um aumento de mais de 41 mil casos em um ano. Destes, 775 foram na região das Américas. Foram verificadas 96 ocorrências de poliomielite, 54 a mais do que 2016 – nenhum caso confirmado na região das Américas, apesar de uma suspeita que foi descartada na Venezuela.

Mais de 16 mil casos de difteria foram registrados, um aumento de 9 mil em comparação com 2016. Destes, 872 casos foram na região das Américas. De SRC (Síndrome da Rubéola Congênita), houve 830 casos em 2017, um aumento de 367 casos ante 2016. SRC é quando a infecção pelo vírus da rubéola acontece durante a gravidez, principalmente no primeiro trimestre, e pode comprometer o desenvolvimento do feto e causar aborto, morte fetal e anomalias congênitas.

A OMS faz um alerta de que essas doenças podem ser prevenidas com vacinas e também ressalta que pode haver subnotificação dos casos, já que nem sempre os países conseguem informar dados precisos.

Sarampo

Globalmente, 85% das crianças foram vacinadas com a primeira dose da vacina contra o sarampo no primeiro ano de vida, através dos serviços de saúde de rotina, e 67% com uma segunda dose. Apesar disso, segundo o relatório, os níveis de cobertura permanecem bem aquém da cobertura de imunização contra o sarampo recomendada pela OMS, que é de pelo menos 95% para evitar surtos, evitar mortes evitáveis ​​e alcançar metas de eliminação regional.

Em 2017, a OMS chegou a emitir um alerta depois que os casos de sarampo aumentaram 400% na Europa. A maioria dos casos aconteceram na Ucrânia, Romênia e Itália. No Brasil, são dois surtos em 2018: em Rondônia (200 casos confirmados e duas mortes) e no Amazonas (263 casos). Quatro casos também foram registrados no Rio de Janeiro e estão sob investigação. Também há notificações de sete casos no Rio Grande do Sul.

Em 2017, dez países tinham cobertura contra difteria, tétano e coqueluche (DTP3) ou contra o sarampo abaixo de 50%: Angola, República Centro-Africana, Chade, Guiné Equatorial, Guiné, Nigéria, Somália, Sudão do Sul, República Árabe da Síria e Ucrânia.

Vacinação infantil no Brasil

No Brasil, a vacinação de crianças menores de 1 ano teve o seu menor índice de cobertura em 16 anos. A vacina Tetra Viral, que previne sarampo, caxumba, rubéola e varicela, apresenta o menor índice de cobertura – 70,69% em 2017 –, seguida da vacina contra o Rotavírus Humano, que ficou 20% abaixo da meta.

Já o índice de cobertura contra a poliomielite ficou em 77%. O Ministério da Saúde informa que 312 municípios brasileiros estão com baixa cobertura para a vacina contra a poliomielite: eles não chegaram a vacinar nem metade das crianças menores de 1 ano.

Vacinação infantil no mundo

Em todo o mundo, cerca de 123 milhões de bebês, nove em cada dez, receberam pelo menos uma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche em 2017. No entanto, a estimativa é de que 20 milhões de crianças ainda precisam ser vacinadas contra difteria, tétano e coqueluche (DTP3), 45 milhões de crianças ainda precisam ser imunizadas com uma segunda dose da vacina contra o sarampo e 76 milhões de crianças precisam ser vacinadas com três doses da vacina conjugada pneumocócica.

 

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