A nova ministra da Economia da Argentina, Silvina Batakis, anunciou nesta segunda-feira (11) uma série de medidas destinadas a reduzir o alto déficit fiscal do país e acalmar os mercados financeiros, em meio à crise financeira e política que o país atravessa.
Batakis, que assumiu a pasta há uma semana em meio a uma grave disputa na coalizão governista de centro-esquerda, disse que vai manter as metas acordadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), entre outras decisões que buscam afastar as dúvidas sobre o futuro da economia.
“Não vamos gastar mais do que temos”, afirmou ela em entrevista à imprensa. “Precisamos dar certa ordem e equilíbrio às finanças públicas do Estado nacional”.
Batakis destacou que a Argentina buscará uma trajetória de taxa de juros positiva, congelará a entrada de novos funcionários no setor público, além de manter o plano de cortes de subsídios ao consumo de serviços estipulado pela gestão anterior e evitar gastos acima do orçamento.
O país, importante exportador de grãos, enfrenta uma inflação que pode chegar a 76% este ano segundo estimativas, pressão sobre o peso e reservas cambiais baixas.
A ministra avaliou que o peso argentino, atualmente sob pressão devido à escassez de divisas que o país enfrenta, encontra-se em um valor adequado.
Alguns especialistas levantaram dúvidas sobre o respaldo que plano de Batakis terá por parte da vice-presidente Cristina de Kirchner, que provocou uma crise no governo de Alberto Fernández ao pressioná-lo pela saída do ex-ministro da Economia Martín Guzmán.
“Mantêm-se as metas acordadas com o FMI. É um acordo que firmamos como Estado e temos que cumprir”, disse Batakis em sua primeira coletiva de imprensa, uma semana após assumir o cargo.
Este ano, a Argentina assinou um acordo com o FMI de ampliação de recursos de cerca de US$ 44,5 bilhões, em substituição ao instrumento de crédito “stand-by” assinado pelo governo anterior de Mauricio Macri (2015-19).
O novo acordo contempla uma redução do déficit fiscal de 3% do PIB, no ano passado, para 2,5%, em 2022; 1,9%, em 2023; e 0,9%, em 2024.
Em suas declarações, a ministra ressaltou que é necessário “dar ordem e equilíbrio às finanças públicas”, objetivo prioritário de sua gestão, uma vez superada a emergência econômica causada pela pandemia da covid-19.
“O setor público deve usar os déficits como instrumento anticíclico, mas, passadas as turbulências, o eixo de equilíbrio deve ser retomado”, defendeu.
Em 2020, a economia argentina se contraiu 9,9% e, em 2021, disparou, com um aumento de 10,3%. O FMI calcula que, este ano, a economia do país crescerá 4%.
A Argentina registra uma inflação de 60% no acumulado de um ano até maio de 2022, com previsão de fechar o ano em 76%, segundo levantamento de expectativas feito pelo Banco Central.
“Estamos trabalhando a expectativa de inflação com empresários e comerciantes. Estamos em uma situação totalmente diferente de quando poderiam ser feitas projeções inflacionárias”, afirmou. As informações são das agências de notícias Reuters e AFP.
