Após reunir-se com o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, na residência oficial de Olivos, o chefe de Estado da Argentina, Mauricio Macri, afirmou, nesta segunda-feira (24), que ambos discutiram a situação da Venezuela e que “existem todas as condições para aplicar a cláusula democrática” do Mercosul contra o país. Ambos presidentes expressaram sua preocupação pela crise entre o governo de Nicolás Maduro e a oposição e anteciparam que será convocada uma reunião extraordinária do bloco para adotar medidas. Se for aplicada, a cláusula democrática poderia ser usada para suspender a Venezuela do Mercosul.
“A declaração do Congresso venezuelano foi contundente. Isso nos aproxima cada vez mais a confirmar que a Venezuela, nestes termos, não pode ser parte do Mercosul”, declarou o presidente argentino.
Macri foi mais claro do que Vázquez e disse, sem rodeios, que “existem condições para aplicar a cláusula democrática. Espero que na reunião [que ainda será convocada] isso possa ser encarado”.
“A Venezuela deve ser condenada pelo mundo inteiro porque não estão sendo respeitados os direitos humanos”, enfatizou o chefe de Estado argentino.
Já o presidente do Uruguai, país que nos últimos meses se opôs a pressionar o governo venezuelano e chegou até mesmo a transferir – sem o respaldo de Brasil, Argentina e Paraguai – a presidência do Mercosul à Venezuela, admitiu estar “muito preocupado”.
“O Mercosul deve se reunir para discutir o assunto [a implementação da cláusula democrática] e vamos estar presentes e discutir com responsabilidade e seriedade”, avaliou Vázquez.
O chefe de Estado assegurou que ele e seu partido, a governista Frente Ampla, “sempre defendemos o direito soberano dos povos a manifestar-se e a liberade dos povos a dizer o que pensam”, em clara referência à demanda da oposição venezuelana de realizar um referendo revogatório sobre o mandato de Maduro. Foi a primeira vez que o Uruguai se mostrou mais próximo das posições de seus demais sócios dentro do Mercosul.
Ruptura
O parlamento da Venezuela, controlado pela oposição, aprovou nesse domingo (23) em uma sessão extraordinária um acordo no qual declara a “ruptura da ordem constitucional e a existência de um golpe de Estado” no país “cometido pelo regime de Nicolás Maduro e pelos poderes Judicial e Eleitoral”. Os parlamentares acertaram solicitar à comunidade internacional a “ativação de todos os mecanismos necessários para garantir os direitos do povo da Venezuela”.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante discurso em Caracas. (Foto: Reprodução)
Eles também anunciaram que formalizarão uma denúncia no Tribunal Penal Internacional contra os juízes regionais e os reitores do Conselho Nacional Eleitoral, classificados como “responsáveis” da suspensão do processo de referendo para tirar Maduro do poder. (AG)
