Em mais um capítulo da série “Roda de Cultura”, o Hotel Praça da Matriz (HPM) receberá às 15h da próxima quarta-feira (17) a ítalo-gaúcha Maria Di Gesu, 98 anos, para um descontraído bate-papo com o público. A conversa tem como pauta a longeva e multifacetada trajetória como artista plástica e violinista, dentre outros temas, com mediação do pesquisador Sergio Viveiros.
Com entrada franca e participação aberta a qualquer interessado, o evento tem vagas limitadas, mediante reserva pelo whatsapp (51) 98595-5690. Endereço: Largo João Amorim de Albuquerque nº 72 (a menos de 100 metros do Theatro São Pedro), no Centro Histórico de Porto Alegre.
Nascida em 1928 na região italiana da Calábria, Maria Di Gesu iniciou durante a infância o seu envolvimento com a cultura, primeiro de forma autodidata e depois com estudos de música. Em 1947, imigrou com a família para o Brasil, fixando-se em Porto Alegre, onde seu perfil inquieto e a busca contínua por conhecimento a tornariam um nome marcante em pintura e gravura, com estilo peculiar de primitivismo.
Cursou desenho, canto e teoria musical no Instituto de Belas Artes, estudou escultura, cerâmica, xilogravura e restauro de obras, além de aprender nada menos que nove instrumentos. Já na segunda metade da década de 1950, sua produção passou a ser exposta em museus, galerias e outros espaços, ampliando o alcance e reconhecimento do trabalho de Maria Di Gesu, premiada além das fronteiras do Rio Grande do Sul.
Em depoimento para o livro-retrospectiva “Maria Di Gesu – uma Vida Retratada pela Arte” (2016), a escritora e também artista Marley Poletto ressalta na obra da colega “a construção de uma identidade fortemente vinculada a suas raízes, sem perder a conexão com o espaço e sociedade em que vive, com persistência, tenacidade, ternura, alegria, retidão de caráter e amor ao semelhante”.
Espaço HPM
Inaugurado como imóvel residencial no final da década de 1920, o palacete do Largo João Amorim de Albuquerque nº 72 abriga há quase 50 anos o Hotel Praça da Matriz. O empreendimento passou por ampla revitalização e, sob o comando da família Patrício desde 2014, hospeda anônimos e famosos, além de abrigar o Espaço Cultural HPM. No foco estão exposições, saraus, lançamentos de livros e outros eventos.
A origem do imóvel remonta a Luiz Alves de Castro (1884-1965), o “Capitão Lulu”, dono do cabaré-cassino “Clube dos Caçadores”, instalado de 1914 a 1938 na rua Andrade Neves (a poucas quadras dali) e enaltecido por cronistas e escritores como Erico Verissimo. A fortuna amealhada pelo empresário com a atividade ainda bancou, na mesma época, a construção do imponente edifício que hoje sedia o Espaço Cultural Força e Luz (Rua da Praia).
Contratado por Lulu, o engenheiro e arquiteto teuto-gaúcho Alfred Haasler projetou quatro andares com subsolo, pátio interno e dois diferenciais naquele tempo: garagem e sistema francês para calefação de água, tudo em estilo eclético, com mármores, azulejos e outros materiais importados. O conjunto está inventariado como de interesse histórico pelo Município e contemplado com o programa Monumenta, permitindo a recuperação de fachada, cobertura e estrutura elétrica.
O proprietário não teve muito tempo para aproveitar tamanho requinte, pois migrou no início da década de 1930 para o Rio de Janeiro, ampliando atividades (foi sócio do Cassino da Urca e dono de diversos empreendimentos). Com o decreto federal que em 1946 proibiu os jogos-de-azar, Lulu se desfez do seu patrimônio em Porto Alegre. O palacete junto à Praça da Matriz – até então alugado a terceiros – trocou de mãos e serviu como sede provisória do Clube do Comércio, dentre outras finalidades, até ser adquirido em 1949 por um comerciante cuja nora, Ilita Patrício, mantém hoje com a família o estabelecimento hoteleiro.
