Wall Street teve um forte rali nos momentos finais da sessão de sexta-feira (13) depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou emergência nacional para combater a epidemia de coronavírus no país, embora os principais índices ainda tenham sofrido perdas acentuadas na semana.
Em sessão volátil, os três principais índices acionários norte-americanos chegaram a saltar mais de 6% no início das negociações, antes dos ganhos do S&P 500 se reduzirem a apenas 0,55%. Mas quando Trump fez o anúncio de ajuda federal no valor de cerca de 50 bilhões de dólares para combater a doença, os mercados voltaram a avançar.
“Na fala inicial, ele (Trump) começou a falar em 50 bilhões de dólares e o mercado perguntou ‘para onde isso vai?’”, disse Peter Jankovskis, co-diretor de investimentos da OakBrook Investments. “Mas, como ele estava acompanhado por vários líderes empresariais e eles conversaram sobre o que estão fazendo, é realmente a isso que o mercado está respondendo.”
Os índices ainda estão cerca de 20% abaixo dos recordes atingidos em meados de fevereiro, e cada um sofreu quedas de pelo menos 8% nesta semana. Desde que alcançaram as máximas, os mercados têm sido marcados por grandes oscilações nos pregões, quase igualando o número de dias com quedas de pelo menos 1% em 2019. A alta desta sexta-feira marcou o maior ganho percentual em um dia do S&P 500 desde 28 de outubro 2008.
Nesta sexta-feira, o índice Dow Jones avançou 9,36%, para 23.185,62 pontos, o S&P 500 saltou 9,29%, para 2.711,02 pontos e o Nasdaq Composite disparou 9,35%, para 7.874,88.
A Câmara dos Deputados dos EUA, liderada pelos democratas, aprovará nesta sexta-feira um pacote de ajuda econômica para combate ao coronavírus, disse Nancy Pelosi, presidente da casa, mas não está claro se Trump e seus colegas republicanos o apoiarão.
Todos os principais subíndices do S&P 500 estavam sendo negociados em alta, com as expectativas de novas medidas de liquidez pelo Federal Reserve aumentando os rendimentos dos Treasuries.
Temperatura normal
Donald Trump fez um teste para coronavírus, mas disse neste sábado que sua temperatura estava “totalmente normal”, enquanto seu governo disse que estenderá proibições de viagens ao Reino Unido e à Irlanda para tentar conter uma pandemia que tem afetado grande parte da rotina norte-americana.
Depois que autoridades da Casa Branca tomaram a decisão sem precedentes de verificar a temperatura dos jornalistas que entram na sala de imprensa, Trump afirmou a repórteres que fez um teste para o vírus na noite de sexta-feira e que espera os resultados em “um ou dois dias”.
O presidente dos EUA disse ainda que norte-americanos devem reconsiderar viagens não essenciais e que sua administração está avaliando restrições a viagens domésticas.
O principal especialista em doenças infecciosas dos EUA, o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas Anthony Fauci, disse que o país registrou 2.226 casos do novo coronavírus, mas ainda não atingiu o pico do surto.
O vice-presidente Mike Pence, responsável pela resposta do governo ao surto, disse a repórteres que o governo dos EUA estenderá ao Reino Unido e à Irlanda proibições de viagens que foram impostas primeiramente à China e ampliadas nesta semana para a Europa continental.
Linhas aéreas dos EUA, que já foram impactadas com as restrições e por uma forte queda na demanda, disseram neste sábado que estão preparando novos cancelamentos de voos. Pence afirmou que as novas restrições entrarão em vigor à meia-noite de segunda-feira. As informações são da agência de notícias Reuters.
