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As eleições da dúvida, contenda e incerteza

Faltando apenas quatro dias para a votação, o Brasil chega a uma das eleições mais disputadas e cercadas de incertezas das últimas décadas. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Faltando apenas quatro dias para a votação, o Brasil chega a uma das eleições mais disputadas e cercadas de incertezas das últimas décadas. Doze candidatos, acompanhados de seus respectivos vices, estão inscritos para disputar a Presidência da República. Entretanto, a atenção do eleitorado está concentrada principalmente no atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e no senador Flávio Bolsonaro, do PL, que aparecem nas primeiras posições das pesquisas eleitorais.

Lula, atualmente em seu terceiro mandato, busca uma quarta passagem pela Presidência da República. Flávio Bolsonaro disputa pela primeira vez o comando do País e assumiu o protagonismo eleitoral do grupo político liderado por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está inelegível.

As pesquisas divulgadas nesta reta final indicam uma disputa bastante acirrada entre os dois principais concorrentes. Os números variam de acordo com cada levantamento, mas demonstram que a diferença entre eles é pequena. Isso reforça a imprevisibilidade do resultado e mostra que qualquer mudança de comportamento do eleitorado poderá alterar o cenário até o momento da votação.

O problema maior está na qualidade do debate político. Em muitos momentos, a campanha tem sido dominada mais por acusações, confrontos pessoais, provocações e disputas ideológicas do que pela apresentação de propostas concretas para o futuro do País.

O eleitor precisa saber o que cada candidato pretende fazer em áreas fundamentais, como economia, saúde, educação, segurança pública, geração de empregos, infraestrutura e redução das desigualdades sociais. A escolha de um presidente não pode estar limitada à simpatia pessoal, à rejeição ao adversário ou à identificação ideológica.

A eleição também definirá governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais. Por isso, a responsabilidade do eleitor vai muito além da disputa presidencial. Cada voto contribuirá para determinar a composição dos Poderes Executivo e Legislativo e influenciará diretamente os rumos do País nos próximos anos.

A polarização continua sendo um dos principais complicadores do processo eleitoral. Em vez de buscar o convencimento do eleitorado por meio de programas, projetos e soluções, parte dos candidatos prefere investir no confronto e na desqualificação dos adversários.

O Brasil ainda enfrenta antigas divergências políticas e institucionais que se acumularam ao longo das últimas décadas. Também permanece em discussão a necessidade de aperfeiçoamento das regras eleitorais e do próprio funcionamento das instituições, inclusive com propostas relacionadas ao fim da reeleição para cargos do Executivo e mudanças nos mandatos eletivos.

Espera-se que os escolhidos pelas urnas tenham condições de contribuir para a pacificação do País, para o fortalecimento das instituições e para a construção de um ambiente político menos marcado por conflitos permanentes.

Diante desse quadro, o eleitor tem uma enorme responsabilidade. O voto não deve ser utilizado como instrumento de vingança, rancor ou simples rejeição a determinado grupo político.

É necessário analisar propostas, trajetória, capacidade administrativa e compromissos públicos. Em uma democracia, votar significa entregar poder a pessoas que tomarão decisões capazes de atingir diretamente a vida de milhões de brasileiros.

Por isso, é importante não fazer do voto uma arma. Uma escolha motivada apenas pela intenção de derrotar ou atingir o adversário pode produzir consequências que posteriormente recairão sobre toda a sociedade.

E, nesse caso, a vítima da própria escolha poderá ser o eleitor.

* Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo)

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