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As redes sociais e o fim do mundo – Parte I

(Foto: Reprodução)

Incrível como tem gente apaixonada pela robotização e coisas tipo “deixe tudo com a tecnologia”. As redes sociais são um sintoma do perigo que corremos. Onde está a solução, está o perigo. O Facebook é a “agora” dos néscios (para quem não sabe o que é “agora”, vá, paradoxalmente, ao Google). A aldeia global virou o quintal, a várzea da comunicação. Ofensas, xingamentos, crimes de difamação, calúnia e injúria: tudo isso, somado às fake news, dá a tempestade perfeita para o ataque dos ignorantes.

E, nesse mundo em que tudo se transforma em narrativa, nada melhor do que os aproveitadores. Um dos maiores aproveitadores é o site de viagens. Essa coisa de e-booking. Mente sempre. Sempre. Nenhuma informação constante nesse tipo de site é fiel à realidade. Os hotéis são mostrados como se fossem um castelo. O sujeito que faz a reserva, chega lá e pergunta: este é o hotel da foto e da publicidade? Nunca é, cara pálida. Vigarice institucionalizada. Mesmo que você reserve o melhor hotel. Sempre haverá uma surpresa.

O hotel, por exemplo, pode ser aquilo que se apresenta. Afinal, um Biltrol de Varsóvia não tem como enganar, a não ser em algumas coisas como “o café da manhã não está incluído”. Céus. E quanto custa? Ah, mole. Se a diária, em baixa temporada, custa 200 euros, o café, para dois, custa a bagatela de 32 euros por pessoa, por dia. Bingo. E assim por diante.

O site ebooking (e todos são iguais) também apresenta outras surpresas nesse tipo top de hotel: você acabou de reservar o mais simples. Mas se quiser pagar mais a bagatela de 40%, vai para a categoria executiva. Bingo de novo. E assim por diante. Já quando o hotel é mais popular, o estelionato vai às alturas. Hotéis pés-de-chinelo são apresentados como lindos, maravilhosos, com depoimentos fake de pessoas que nunca por lá passaram.

Isso tudo é como as fotos do sanduíche do McDonald’s. A foto é bonita, a realidade é uma folha de salada, um hambúrguer passado na chapa rapidamente e um queijo que não derreteu. Eis o sanduíche chamado, sei lá, Mississipi (não sei até agora porque chamar um hambúrguer de Mississipi na Europa: não seria melhor chamar de Texas?).

Vou falar mais sobre os sites esses de viagens. E dos sites de restaurantes divulgados pelos sites tipo e-booking, hotéis.com, expedia etc. Vá ao restaurante indicado. E verá. Rá, rá! Ponha no Google: os dez melhores restaurantes de Lisboa. E saia correndo, 80% dará errado.

Mas agora só quero registrar outra coisa. Os hotéis 4 e 5 estrelas cobram dez a 12 vezes mais o preço da água. Se alguém exagerar e não sair comprando água, pode ter a seguinte equação: Um bom 4 ou 5 estrelas custa mais de 120 euros (não vou falar da vigarice da inclusão do café da manhã). Um litro de água custa 7 euros e meio. Considerando que o sujeito só consuma a água do hotel e tome, entre duas pessoas, 3 litros de água ao dia, estará, só de água, consumindo 22,5 euros. Em alguns dias, dá uma diária a mais.

Cena de um hotel chique de Portugal: “Por favor, pode me trazer um balde gelo para esfriar uma garrafa de champanhe?“. “Sim, mas custará 8 euros. No entanto, se o senhor descer aqui e buscar, é grátis”. Poxa! Fantástico!
Mas, por que o título da coluna? Nem deu espaço para ir muito longe. Quer dizer, para ir muito longe precisa de GPS.

Outra invenção paradoxal. Boa… e ruim. Ninguém mais olha a paisagem. Só para o GPS. Mapas? Nem falar. E o GPS engana. Muito. Tecnologia demais é tecnologia de menos. Assim como informação demais é informação de menos. Dirigir um carro ultratecnológico é bom. Mas também é problemático. Nem rádio mais tem para mexer nos botões. CD? Nem falar. O que é um CD?

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