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As regras internas da Polícia Federal impedem que o seu ex-diretor-geral Fernando Segovia assuma um cargo que Michel Temer prometeu para ele na Itália

Segovia foi nomeado para o cargo por Temer em 1º de março, dois dias após ser demitido da Direção-Geral da PF. (Foto: EBC)

Na semana passada, o presidente Michel Temer criou um problema para o novo diretor-geral da PF (Policia Federal), Rogério Galloro, ao anunciar que o titular anterior da pasta, Fernando Segovia, atuará como adido policial do Brasil em Roma (Itália). Isso porque, se o chefe do Palácio do Planalto pretendia compensar Segovia pela recente demissão, as regras da própria corporação impedem um policial de ocupar dois cargos de adido em um prazo inferior a três anos – Segovia foi adido na África do Sul alguns meses antes de assumir o comando da PF, em novembro.

Ao ser confrontado com a informação, Galloro reconheceu a existência da instrução normativa sobre o assunto mas admitiu aos seus auxiliares não saber ainda como a questão será resolvida. A norma, com limites para o preenchimento de cargos de adido, foi editada em 2012 pelo então diretor da Polícia Federal Leandro Daiello, antecessor de Segovia. Agora, caberá a Galloro decidir se muda ou não a regra para atender à decisão anunciada pelo emedebista.

Outros ex-diretores que deixaram os seus cargos junto com Segovia também foram contemplados com funções desse tipo. O ex-diretor de Combate ao Crime Organizado Eugênio Ricas, por exemplo, será adido nos Estados Unidos. Já ex-diretor-executivo Sandro Avelar ganhou o mesmo cargo em Londres (Inglaterra). Atualmente, as chamadas “adidâncias” são os cargos mais cobiçados dentro da PF, pois trazem salários mais altos e a possibilidade de morar com a família no exterior. Além disso, a demanda por trabalho também é menor que em outros cargos no Brasil.

Compensação

A adidância oferecida a Fernando Segovia na Itália seria uma espécie de “prêmio de consolação”. O ex-diretor-geral foi demitido três meses depois de empossado no cargo, em meio ao desgaste gerado pela repercussão negativa de uma entrevista que concedeu à imprensa, no mês passado, em que defendeu publicamente o presidente da República no âmbito do inquérito sobre a suposta participação de Temer na edição de uma lei favorável a empresas do setor portuário, em troca de vantagens indevidas.

Quando assumiu o cargo, em novembro, Segovia já causou desconforto ao afirmar que “uma mala de dinheiro não seria suficiente para provar envolvimento em corrupção”. Ele se uma referia às investigações da PGR (Procuradoria-Geral da República) e da própria PF que deram origem a uma das denúncias do ex-procurador-geral Rodrigo Janot contra o chefe do Executivo.

Às vésperas do carnaval, na fatídica entrevista, o então diretor-geral da PF disse que não existem provas de corrupção no inquérito em que Temer é investigado por suposto favorecimento à empresa Rodrimar na edição do decreto dos portos. Os comentários provocaram forte reação interna e ele acabou sendo intimado a se explicar diante do ministro Luís Roberto Barroso, relator do inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal).

“Fritado”, Segovia acabou demitido pelo novo ministro extraordinário da Segurança, Raul Jungmann, na última segunda-feira. Esse foi o primeiro ato assinado por Jungmann assim que recebeu a nova missão. No dia seguinte, entretanto, Temer elogiou Segovia durante entrevista a uma emissora de rádio e anunciou a nova função que daria a ele na capital italiana.

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