Ícone do site Jornal O Sul

Assassinatos caem para o menor nível em 14 anos no Brasil; 8 em cada 10 vítimas são negras

Todas as regiões brasileiras tiveram redução na violência. (Foto: Pixabay)

O Brasil atingiu a menor taxa de assassinatos desde 2012, com um total de 40.775 vítimas em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesaa quinta-feira (23). O crime, entretanto, continua expondo uma desigualdade racial: 8 em cada 10 mortos são negros.

Em 2025, a taxa ficou em 19,1 registros a cada 100 mil habitantes, número que representa uma queda de 8% em relação a 2024 e 31% se comparado a 2012, primeiro ano da série histórica. Classificada como Mortes Violentas Intencionais (MVI) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a taxa de assassinatos corresponde à soma dos casos de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço e fora.

Quando observado apenas o crime de homicídio doloso, quando existe intenção de matar, há uma redução de 10% dos registros, com uma taxa de 15,4. Em 2021, a norma que orienta a implementação do Sistema Único de Segurança Pública foi revisada pelo Governo Federal e definiu a meta de 16 homicídios por 100 mil habitantes até 2027. Com os dados publicados nesta quinta-feira, a meta foi cumprida com dois anos de antecedência.

Para a doutora em Ciências Sociais e pesquisadora do FBSP, Raquel Souza, a antecipação deve ser levada com cautela.

“A boa notícia sobre a antecipação da meta de redução de homicídios no Brasil precisa ser, infelizmente, relativizada. O país precisa encontrar mecanismos de controle do uso da força mais efetivos, já que tais dados mostram que o Estado, em suas múltiplas esferas e poderes, tem sido parte do problema e não apenas das soluções para a segurança pública brasileira”, diz a pesquisadora.

Letalidade policial

Segundo o levantamento, na contramão dos dados gerais sobre mortes violentas intencionais, em 2025 houve um aumento de 5,4% de mortes decorrentes de intervenção policial. Só no ano passado, 6.602 casos foram registrados, representando 1 em cada 6 mortes violentas intencionais.

Os negros são os mais afetados em ações policiais, correspondendo a 82% das vítimas, enquanto brancos representam aproximadamente 18%. Quanto às mortes violentas intencionais em geral, 79,7% são negros e a probabilidade de um negro ser assassinado é 3,5 vezes maior que a de um branco, segundo o anuário.

Pior taxa no Nordeste

Enquanto a taxa nacional de MVI por 100 mil habitantes é de 19,1 vítimas, o Nordeste concentra a pior taxa, com 31,6, seguido pela região Norte, com 25,3. Mesmo abaixo da média do país, as regiões apresentaram queda em comparação ao ano de 2024.

“Essa concentração de Mortes Violentas Intencionais nas regiões Norte e Nordeste do país está muito associada, mesmo que não de forma exclusiva, à capacidade de organizações criminosas ampliarem suas forças a partir da captura de territórios, economias e modos de vida. O controle de infraestruturas críticas da economia dessas regiões passa a ser disputado e, com isso, há um aumento da violência letal”, explica Souza.

Nas melhores posições encontram-se as regiões Sudeste e Sul com as menores taxas, 12,6 e 11,9, respectivamente. (As informações são de O Globo)

Sair da versão mobile