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Associação Brasileira de Imprensa pede que a mudança de nome do Maracanã não seja aprovada

Projeto institui a mudança do nome do estádio de Jornalista Mário Filho para Edson Arantes do Nascimento – Rei Pelé. (Foto: Bruno Lordello)

A aprovação da mudança do nome do Estádio Mario Filho para Rei Pelé causou surpresa à ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e à Acerj (Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro). As entidades enviaram cartas ao governador interino do Rio de Janeiro, Claudio Castro, pedindo que não sancione a proposta – ele tem 15 dias para tomar a decisão. Na terça-feira, a Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) aprovou, de forma urgente, projeto de lei. Segundo o texto, o nome oficial do Maracanã, Estádio Jornalista Mário Filho, será trocado para Estádio Edson Arantes do Nascimento – Rei Pelé. A troca causou protesto da família de Mário Filho.

O projeto dará o nome de Mário Filho, jornalista que idealizou a campanha para a construção do Maracanã, ao complexo esportivo, que engloba ainda o Ginásio Maracanãzinho e o Estádio de Atletismo Célio de Barros.

“A utilização de nomes de pessoas vivas nos bens pertencentes ao patrimônio público tem sido uma preocupação da sociedade para zelar pelo que é de todos e impedir a privatização do patrimônio público. Mas, nesse caso, essa é uma justa homenagem a uma pessoa reconhecida mundialmente pelo seu legado no futebol brasileiro e pela prestação de relevantes serviços ao nosso país”, justificou o presidente da Alerj, deputado André Ceciliano (PT).

Na carta, a ABI reconhece o mérito de todas as homenagens a Pelé, mas ressalta a importância do jornalista Mario Filho na viabilização do estádio e na criação da mística do Maracanã. Ainda lembra a relevância dele para o jornalismo esportivo brasileiro. No fim, a entidade pede que não se permita mais uma mutilação no Estádio do Maracanã com a troca de nome.

“Para a ABI, independentemente de questionamento jurídico quanto à legalidade de homenagear pessoas vivas, o que importa, neste momento, é não permitir mais uma mutilação no Estádio do Maracanã, com a retirada do nome do Jornalista Mario Filho”, afirmou o presidente da ABI, Paulo Jeronimo.

A Acerj também destaca o papel de Mario Filho na construção do imaginário do futebol carioca e brasileiro, ao criar, por exemplo, a expressão Fla-Flu. A entidade lembra que ele também “colaborou para a popularização da cobertura jornalística do futebol trocando os termos rebuscados da época por expressões mais populares e o Maracanã muito contribuiu para isto”.

O neto de Mário Filho, também jornalista, Mário Neto, protestou contra a troca. “Lamentável essa atitude. Uma barbaridade. Tiraram com uma canetada. Eu não vou brigar com quem não conhece Mário Filho, não conhece nada de esportes. Tô chateado, mas não vou levar à frente”, disse o jornalista.

Mário Leite Rodrigues Filho nasceu no Recife, em 3 de junho de 1908, e morreu no Rio de Janeiro, em 17 de setembro de 1966. Irmão do dramaturgo e escritor Nélson Rodrigues, Mário Filho atuou no Jornal dos Sports, de sua propriedade, onde coordenou a campanha pela construção do Maracanã.

No final dos anos 40, Mário lutou pela imprensa contra o então vereador Carlos Lacerda, que desejava a construção de um estádio municipal em Jacarepaguá para a realização da Copa do Mundo de 1950. Mário conseguiu convencer a opinião pública carioca de que o melhor lugar para o novo estádio seria no terreno do antigo Derby Club, no bairro do Maracanã, e que o estádio deveria ser o maior do mundo, com capacidade para mais de 150 mil espectadores. As informações são do jornal Extra e da Agência Brasil.

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