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Ataque maciço da Rússia com mísseis contra Kiev mata ao menos 21 pessoas, incluindo quatro crianças

Mísseis e drones atingiram diversas áreas da cidade. (Foto: Reprodução)

Ao menos 21 pessoas morreram, incluindo quatro crianças, e dezenas ficaram feridas entre a noite de quarta-feira (27) e a madrugada dessa quinta-feira (28) em Kiev, após a Rússia lançar mísseis e drones contra a capital ucraniana. O ataque massivo é o maior disparado por Moscou desde a cúpula entre Vladimir Putin e Donald Trump no Alasca, que havia renovado a expectativa de um avanço diplomático em direção ao fim da guerra. Mísseis e drones atingiram diversas áreas da cidade, incluindo prédios que abrigam escritórios da União Europeia e do British Council, que foram danificados por explosões. A Casa Branca, a ONU e aliados europeus da Ucrânia condenaram a ação.

Um prédio residencial de cinco andares também foi destruído pelos ataques russos, e outras residências foram danificadas. Um míssil atingiu um shopping no centro de Kiev. Autoridades ucranianas afirmaram que 598 drones e 31 mísseis, alguns deles balísticos, foram disparados por Moscou — dos quais 563 drones e 26 mísseis teriam sido abatidos. Um “raro” ataque de drone marítimo da Rússia a um navio das forças navais ucranianas no Mar Negro matou pelo menos uma pessoa, deixando vários feridos ou desaparecidos, disse um porta-voz da Marinha ucraniana.

A ofensiva 13 dias após Trump e Putin se encontrarem no Alasca provocou reações por parte de Kiev e de seus aliados europeus. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que o ataque noturno era uma demonstração da falta de compromisso de Moscou com qualquer tentativa de paz — na reunião nos EUA, o líder russo insistiu que negociações de paz substanciais deveriam ocorrer antes de um cessar-fogo, algo apontado por aliados de Kiev como um artifício para ganhar tempo enquanto continua a avançar no campo de batalha.

“A Rússia escolhe os mísseis balísticos em vez da mesa de negociações”, escreveu Zelensky nas redes sociais. “Escolhe continuar matando em vez de acabar com a guerra. E isso significa que a Rússia ainda não teme as consequências”.

O Ministério da Defesa ucraniano acusou a Rússia de utilizar a tática conhecida como “ataque duplo” durante o bombardeio ao edifício residencial — que consiste em bombardear duas vezes o mesmo alvo em um período curto de tempo, o que aumenta o risco de vítimas civis, por não raramente atingir equipes de resgate que prestam socorro às vítimas da primeira detonação. O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko classificou o ataque como “massivo”, acrescentando que quatro distritos da capital foram afetados.

O Kremlin, por sua vez, disse que continua interessado em prosseguir com as negociações de paz sobre a Ucrânia. Questionado sobre a aparente contradição entre a ideia de paz e os bombardeios, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que ambos os lados continuam realizando ataques militares, mas que Moscou segue comprometida com a diplomacia. Ele também afirmou que Moscou não ataca civis deliberadamente, ao mesmo tempo em que acusou a Ucrânia de seguir lançando ataques contra infraestrutura russa, inclusive instalações civis.

“As Forças Armadas russas cumprem sua missão. Continuam atacando alvos militares e paramilitares”, disse Peskov. “Ao mesmo tempo, a Rússia segue interessada em continuar o processo de negociação para alcançar seus objetivos por meios políticos e diplomáticos.”

Entre os aliados ocidentais da Ucrânia, o novo ataque foi interpretado como um sinal claro de que o interesse russo nas tratativas não é verdadeiro. O enviado especial de Donald Trump para a Ucrânia, Keith Kellogg, chamou os bombardeios de “atrozes” e disse que “ameaçam a paz” que o presidente americano estaria em busca. A Casa Branca afirmou que o republicano não ficou feliz com o ataque, mas não se surpreendeu.

“Ele não está feliz com essa notícia, mas ele também não ficou surpreso. São dois países que estão em guerra por um período muito longo”, afirmou Karoline Leavitt, acrescentando que a Ucrânia também lançou ataques eficazes à indústria petrolífera da Rússia nas últimas semanas. “Talvez ambos os lados desta guerra não estejam prontos para encerrá-la por conta própria. O presidente (Trump) quer que acabe, mas os líderes desses dois países também devem querer que acabe.”

Após a ofensiva, a Ucrânia solicitou uma reunião de emergência no Conselho de Segurança da ONU para discutir o bombardeio da madrugada. Dois de seus principais diplomatas devem se reunir nesta sexta-feira com representantes do governo Trump para tratar de uma possível mediação. As informações são do jornal O Globo.

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