A Polícia Federal enviou ao juiz Sérgio Moro um novo laudo, com 27 páginas, exclusivamente sobre mensagens recuperadas do computador do empresário Marcelo Odebrecht. O laudo pericial, de 20 de julho, foi anexado na ação penal sobre supostas propinas da empreiteira ao ex-presidente Lula que incluiriam um terreno de R$ 12,5 milhões para abrigar o Instituto Lula e cobertura vizinha à residência do petista, de R$ 504 mil, em São Bernardo (SP).
Integrantes da Lava-Jato afirmam que o terreno que abrigaria o instituto foi comprado em nome da DAG Construtora com recursos da Construtora Norberto Odebrecht.
Conforme o Estadão, na denúncia, o Ministério Público Federal apontou que a aquisição foi intermediada, em 2010, pelo então deputado Antonio Palocci, que mantinha contato com Marcelo Odebrecht e com o executivo da empreiteira Paulo Melo, na época, na Odebrecht Realizações Imobiliárias.
O negócio teriam o envolvimento do advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, e do pecuarista José Carlos Bumlai..
E-mails
Os peritos analisaram dezenas de e-mails de Marcelo Odebrecht entre agosto e dezembro de 2010. Uma das mensagens cita interlocutores identificados como ‘RT’ e ‘JCB’. Em 13 de julho de 2010, ele enviou um e-mail a Paulo Melo com o título: ‘Prédio institucional’.
“Alguma evolução?”, perguntou Odebrecht.
Paulo Melo respondeu: “Evolui na estruturação com MG, tínhamos uma reunião com RT e JCB ontem para tratar do assunto, mas RT teve um problema de saúde e pediu adiamento. Estou aguardando contato deles. Abc.”
Seis dias depois, Marcelo Odebrecht questionou novamente. “O pecuarista/advogado evoluíram em algo?”
Paulo Melo retornou uma hora depois. “Ele está fora do Brasil ate amanha. O advogado teve apendicite e ficou fora do ar a semana toda também. Já temos a estrutura ajustada para apresentar-lhes e a pessoa que ira dar o suporte técnico, estamos só aguardando ser acionados, o que deve ocorrer na quarta-feira.”
Em 8 de setembro de 2010, Paulo Melo pediu que ‘Bira/Hilberto’ programassem um pagamento. ‘Hilberto’ é Hilberto Silva então chefe do setor da propina da empreiteira.
A mensagem foi enviada com cópia para Hilberto Silva, Marcelo Odebrecht e outros quatro executivos da empreiteira: “Prezados Bira / Hilberto, favor programar os pagamentos conforme cronograma abaixo: Data: 23/09/2010, valor: R$ 1.057.920, data: 30/09/2010, valor: R$ 1.057.920, data: 07/10/2010, valor: R$ 1.057.920. Projeto Institucional SP. Responsável: Paulo Melo. Marcelo, por favor replicar o e-mail autorizando”, escreveu Melo.
No dia seguinte, o executivo enviou nova mensagem. “Marcelo, o custo referente a este projeto será debitado a alguma UE específica? Preciso desta informação para que Bira possa alocar a despesa. Obrigado, abraço.”
Odebrecht respondeu: “Eh uma conta que HS mantém e debita a 3 fontes distintas.”
No fim de setembro daquele ano, o empreiteiro recebeu outro e-mail de Paulo Melo que falava ‘de eventuais riscos da aquisição’.
“Marcelo, mesmo estando ciente da orientação que recebemos com relação ao prédio do Instituto, no tocante aos eventuais riscos da aquisição, pedi ao nosso apoio jurídico que fizesse uma rápida verificação da minuta de escritura por desencargo de consciência. As conclusões são preocupantes (vide mail abaixo), e imagino que não tenha sido possível assinar a escritura hoje pela falta de algumas das certidões citadas. Estou encaminhando apenas para seu conhecimento. Continuo aguardando orientações dos interessados. (ele acredita que a escritura poderá ser lavrada na quinta-feira). Abraços”
Odebrecht respondeu: “Já encaminhei ao Italiano. Caso não escute nada vamos em frente.”
No relatório da PF, há ainda uma mensagem do advogado Roberto Teixeira a três interlocutores, encaminhada por um gerente da Odebrecht para Paulo Melo.
“Prezados, segue para análise e conferência, ainda incompleta, a minuta da escritura do imóvel da Haberbeck Brandão. Abçs. Roberto. Teixeira, Martins Advogados.”
Os peritos identificaram também um e-mail de Odebrecht para um interlocutor ligado à DAG Construtora.
A mensagem foi enviada em 22 de setembro. “Predio: sigilo total. Fora as pessoas da OR envolvidas, ninguém mesmo na casa sabe.”
Em 24 de setembro, Odebrecht perguntou a Melo. “Pagou-se o prédio?”
“Marcelo, o imóvel foi comprado hj via contrato particular e efetuado o pagamento. Não foi possível fazer a escritura pública ainda por pendências de documentos dos vendedores, o advogado está providenciando a solução. Abraços, PM.”
No início de outubro daquele ano, Paulo Melo escreveu a Odebrecht. “Marcelo, o advogado solicitou que tomássemos posse do prédio. Providenciei uma equipe de segurança contratada pela empresa compradora. Ha um alinhamento de quais serão nossas responsabilidades? Abraços PM.”
Menos de uma hora depois, a resposta. “Ate agora era soh comprar! Mas ok, coloque a empresa de segurança. Mas avise o advogado que qq coisa a mais precisamos ser orientados pelo deputado.”
