Divulgado nessa quinta-feira (8), o Índice de Desempenho Industrial do Rio Grande do Sul (IDI-RS) apresentou em agosto a sua segunda queda consecutiva, com um recuo de 1,5% sobre julho. Representantes do setor atribuem o fato a aspectos como a retração de 7,1% nas compras industriais.
Na sequência, registraram-se quedas de 2,5% nas horas trabalhadas na produção e de 0,8 ponto percentual na utilização da capacidade instalada (77,2%). O emprego oscilou negativamente em 0,1%, enquanto a massa salarial permaneceu estável. Quem avançou foi o faturamento real, 2,2%, interrompendo duas quedas consecutivas.
Já em relação a agosto do ano passado, o IDI-RS recuou 3,3%. O resultado sofreu influência principalmente da baixa de 5,5% nas horas trabalhadas na produção. Também caíram as compras industriais (-4,4%) e o faturamento real (-4,1%). A utilização da capacidade instalada recuou 1,6 ponto percentual. Já os indicadores do mercado de trabalho apresentaram quedas menos intensas, com redução de 1,1% no emprego e de 0,9% na massa salarial real.
No acumulado de 2026 até agosto, o IDI-RS caiu 3,9%. Essa retração, no entanto, vem perdendo força ao longo do ano: em janeiro, era de 9,2%, 5,3 pontos percentuais acima do resultado registrado até agosto.
Todos os componentes do indicador apresentaram queda nessa base de comparação, com recuos de 7,5% nas compras industriais, 6,1% no faturamento real e 5,4% nas horas trabalhadas na produção. Diminuições de menor magnitude foram observadas no emprego (-1%), na massa salarial (-0,9%) e na utilização da capacidade instalada (-0,6 ponto percentual).
A respeito dos segmentos incluídos na pesquisa, 11 caíram e quatro cresceram no acumulado do ano. Os avanços foram em Alimentos (6,2%), Metalurgia (9,4%), Móveis (0,7%) e Têxteis (4,8%). Em sentido contrário, as principais contribuições negativas vieram de Máquinas e equipamentos (-14%), Veículos automotores (-4,9%), Couros e calçados (-4,6%) e Borracha e plástico (-9,1%). A pesquisa completa pode ser conferida no site observatoriodaindustriars.org.br.
Com a palavra…
“A atividade industrial gaúcha continua sem consolidar uma trajetória de recuperação consistente depois do enfraquecimento verificado em 2025, mas, ao menos, a retração acumulada do ano continua perdendo intensidade, o que sinaliza uma desaceleração do movimento de queda da atividade”, afirma o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Claudio Bier.
O dirigente acrescenta: “A retomada da atividade ainda enfrenta desafios complexos relacionados à trajetória da dívida pública, ao elevado endividamento de famílias e empresas e aos possíveis efeitos inflacionários associados ao fenômeno climático El Niño, cuja superação exigirá medidas consistentes ao longo dos próximos anos”.
(Marcello Campos)
