Está difícil manter-se no mundo pornográfico, já que os cachês, que podem variar de 300 reais a 900 reais a cena, não andam empolgando muito. Como a carga horária caiu há um tempo, por causa da internet e da pirataria, estrelas de produções brasileiras estão contando com outros artifícios para terem algum prazer no fim do mês. “Faço isso há dez anos e hoje em dia está bem ruim. Não dá para viver só disso. Houve época em que fazia 30 cenas no mês. Hoje faço a metade”, lamenta Rodrigo Alemão, que levou o troféu de Melhor Cena de Fetiche, com a produção “Pés do Prazer”, no Prêmio Sexy Hot 2015, a segunda edição do “Oscar Pornô Brasileiro”. Para complementar a renda, Alemão conta com outros serviços: “Faço tudo. Trabalho como tatuador, pedreiro, pintor.”
Bia Bastos conta com a renda de seu salão de beleza e os trabalhos como cabeleireira para sobreviver. Transexual, ela relata que é ainda mais complicado lucrar no meio. “Como nosso cachê é baseado no dólar, hoje pagam pouco. Nesses cinco anos fazendo filmes, já houve época em que gravava dez cenas no mês. Hoje, estou fazendo de duas a três produções e tem mês que nem faço.”
Atenta às novas plataformas de comunicação, a atriz correu para a internet e hoje faz strip em frente à câmera do computador. “Aí, dá um bom dinheiro. Você consegue tirar mil reais por semana. Mas tem de se dedicar, porque é 24 horas, e como muito homem é comprometido, eles preferem acessar de manhã ou no fim da tarde. Tem quem faça programa. Se eu dependesse só de filme, talvez topasse.”
Também transexual, Carla Novaes é mais otimista com o mercado LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). Há uma década anos no ramo, ela aposta no gosto pelo trabalho para se destacar. “Trabalhava como acompanhante e me convidaram para um teste. Foi fácil. Gosto de sexo. Como tenho dez anos de carreira, hoje sou chamada para muitos trabalhos, mas para quem está começando é meio complicado”, opina ela, que fazia 30 cenas no mês, e hoje grava cerca de oito.
Sobrevivência.
Representante da produtora Panda, que preferiu não revelar o nome, enfatiza que o mercado não está crescendo, “mas também não está em queda”: “Estou no mercado há 15 anos e hoje conto com a criatividade. Sentimos a crise, a alta do dólar, mas consigo produzir, em média, 40 cenas por mês. Não estamos crescendo, mas sobrevivendo.” Já o premiado diretor Marco Cidade observa que a indústria ainda está se recuperando do golpe dado pela pirataria e também aposta na criatividade para seguir em frente: “Todo mundo foi para a webcam, então a gente está tendo que apresentar um material bem diferenciado”.
Após ser premiada na categoria Melhor Cena de Orgia, com “Garotas da Van em Prince, o Gostosão”, Nicolle Bittencourt anunciou sua aposentadoria. Depois de cinco anos de pornô, diz que quer focar na carreira de modelo – e em um melhor salário. “Era apresentadora e recebi o convite para gravar. Gostei e não me arrependo. Meu sonho era ser atriz pornô, mas hoje quero encerrar” , pontua ela, que hoje assina como Débora Dunhill.
Hoje, apostando na carreira de apresentador, Kid Bengala pegou uma outra época da indústria pornográfica. Com as dezenas de filmes que fez desde o início dos anos 1990, o ex-ator diz que investiu em imóveis e não descarta voltar à ativa. “O mercado oscilou muito por causa da pirataria e da internet. Hoje, a gente tem de inovar. Estou me virando conforme a música.”
Vencedora do prêmio de Melhor Atriz Hétero, por “Tudo pelo prazer”, Angel Lima não consegue enxergar luz no fim do túnel. “Atualmente não dá para sobreviver disso e não vejo perspectivas de melhorar. Sobrevivo com eventos e o trabalho de stripper”, conta ela, que diz receber 5 mil reais ao mês. (AG)
